28 March, 2010

O que é que você quer, afinal?

- Aquela sua última visita me deixou assustada, Lugh...
- Ariana, você estava gritando, eu é que fiquei assustado, minha amiga querida.
- Eu estava pensando nas coisas que estão acontecendo. Entendo um pouco melhor o que você quis dizer sobre a magia do amor. Lugh, eu sou feita de amor, sinto o amor em meu corpo, coração, olhos, pele, respiração, sinto em meus pensamentos, ele está dentro de mim e em minha volta, ele me protege.
- O amor.
- O amor, Lugh. É tão forte, você não faz idéia.
- Você fala tanto, Ariana, são tantas palavras.
- Eu sou mulher, meu amigo, parece que você não sabe como nós gostamos de falar.
- É verdade, as mulheres falam bastante. Por que?
- Bem... Você conhece o poder das coisas que dizemos, não é?
- Sim.
- Eu quero que aquilo que eu sinto seja sentido pelas pessoas.
- O amor?
- Sim, o amor.
- Quando eu sinto o amor e falo do amor, estou enviando amor aos outros.
- Você sempre fala do amor?
- Não falo sempre sobre o amor em si, mas tudo que falo eu falo por amor.
- Como assim?
- Eu falo em nome dele, falo em nome do amor, preciso colocá-lo no mundo. Coloco quando falo, quando me aproximo, quando quero meus amigos perto. Estou transmitindo amor.
- Você é uma pessoa linda, Ariana.
- Não é bem assim. É o amor que faz com que você me veja assim, sou uma mulher simples, de hábitos simples, de desejos simples.
- Quais são seus desejos, então?
- Desejo do fundo do meu coração que eu tenha sabedoria para superar com elegância e carinho os obstáculos que forem colocados no meu caminho. Desejo estar bem, desejo que minha família fique bem, desejo que meus amigos fiquem bem e que as pessoas consigam um dia compreender que precisam aprender.
- Aprender o que?
- Aprender tudo, aprender aquilo que a vida ensina. Que nossas batalhas diárias, nossas dificuldades, sejam sempre um aprendizado valioso para nos tornarmos seres melhores.
- Ariana, você é real?
- Sou, caro amigo, sou tão real que você pode tocar, me dê sua mão. Isso, ponha sua mão na minha. O que você sente?
- A sua pele macia.
- Pele é real?
- Sim, eu sinto.
- Meu amor é real?
- Sim, eu sinto o seu amor.
- Eu sou real, feita de corpo e amor.
- Amiga... Que bom... Que bom...
- Você ainda não quer nada, não é?
- Você diz amor carnal?
- Sim, sempre.
- Não, querida, não por falta de vontade, mas porque você precisa desse amor pra coisas mais importantes.
- Ah... Lugh... Será que um dia você vai entender?