- Lugh, por que você insiste em me visitar, caro amigo? Você sabe do que eu gosto e você não quer me oferecer essa coisa tão simples que te peço.
- Doce amiga, se eu tivesse todas as respostas do mundo não precisaríamos nos preocupar com mais nada.
- Você me acha bela, meu amigo?
- Sem dúvida, você é a expressão mais pura da beleza.
- Você acha que eu sou uma mulher desejável?
- Sim, Ariana, você seria capaz de aquecer o homem mais frio do mundo apenas com o seu olhar.
- E, mesmo assim, você não quer que eu te aqueça.
- Não é que eu não queira, eu não posso.
- Hm, você me intriga, amigo. Houve um tempo em que eu podia escolher qualquer homem dessa aldeia para fazer-me companhia.
- Você ainda pode. Esses homens estão todos esperando um sinal.
- Mas a maioria deles eu já conheço, pois conheço um deles. Conhecendo um, já sei o que me espera nos demais.
- O que te espera, Ariana?
- Eles primeiro vão achar que foram eles que me conquistaram, depois vão achar que eu sou a mulher mais bela do mundo, depois vão achar que eu continuo querendo vê-los, mesmo quando eu já estiver cansada de olhar para os rostos deles. Então, quando eu disser que já estou cansada, pedirei para que eles voltem para suas mulheres, pois todos acabam por ter suas mulheres – daquele tipo que eles gostam de ter em casa, diferentes de mim, que sou livre. E eles dirão aos amigos que deitaram-se em minha cama e que agora não me querem mais. E sonharão comigo pela eternidade, porque se eu os amei uma vez, eu os amarei para todo o sempre, ainda que fisicamente eu já não os queira mais, meu amor é verdadeiro.
- Se o teu amor é verdadeiro, então por que você não escolhe um que ainda não tenha uma mulher em casa e que não se cansará de você, e fique com ele, por todo o tempo enquanto durar o teu amor?
- Por que ele um dia me pedirá para ser igual às outras e eu não suportarei saber que fico em casa esperando por ele enquanto ele faz em outra casa o que eu gostaria de fazer com ele.
- Por que você acha que todos os homens farão isso com você?
- Porque eles precisarão um dia sair pela porta para sentirem-se como caçadores livres, procurarão alguém como sou hoje para satisfazer essa vontade de liberdade deles. Nenhum deles aceitará que eu – uma mulher – poderia ser uma companheira de aventuras, que eu também gostaria de vê-los divertindo-se e variando suas companhias, da mesma forma que eu gosto de variar as minhas.
- Você quer o que, então, Ariana?
- Alguém que possa me acompanhar. Alguém que não se sinta envergonhado ou temeroso em me contar sobre as fantasias do mundo, sobre as vontades do fundo da alma, alguém que compartilhe dos meus ideais de liberdade.
- Como você espera ser livre, com alguém?
- Com alguém que seja livre e que respeite minha liberdade. Se esse homem não existir, tenho certeza que ficarei melhor sozinha nesse mundo.
- Ariana, você assusta.
- Eu sei, meu amigo... Eu sei... Talvez por isso eu ainda tenha essa idéia em minha cabeça de que irei passar o resto dos meus dias sozinha. Pelo menos terei a companhia do meu amigo Lugh para boas conversas, não é?
- Sempre Ariana, por todo o sempre...
17 April, 2010
15 April, 2010
Ariana Mais Uma Vez (ou não?)
- Ariana, minha querida amiga! Quanta saudade eu senti de você!
...
...
- Ariana?...
- Ariana?
Os olhos de Ariana fitavam o fogo. Olhavam a chama de uma vela que estava sobre um móvel da sala. Sua mente estava longe. Ela usa as velas para ver mais claramente o caminho, vê figuras distantes, nas sombras das árvores. Ariana usava uma túnica de linho e um suave perfume tomava conta da sala.
Era noite e a lua cheia percorria o céu durante esse sonho nebuloso de Ariana. Ela começou a falar:
- Lugh? Estou sonhando, meus olhos estão fechados. Quando é noite, meu tempo é preenchido com uma outra vida, só paro de vivê-la quando acordo, me afasto dos meus sonhos.
- Esse teu mistéio me intriga, amiga. Me responda em que estação do ano estamos?
- Outono? Primavera? Não sei, nada me afeta, Lugh, mesmo com meus olhos cerrados. Nada me afeta enquanto eu tiver essa vela comigo. As palavras saem de minha boca às vezes sem sentido, mas preciso lhe falar: há algo que busco, algo que não posso resistir.
- Ariana, você está brincando comigo? É uma forma de esconder seus sentimentos?
- Shhhh, ouça o silêncio, como é doce................................... Lugh, você ainda não entende... Um dia, quem sabe eu aprenderei uma forma melhor de te contar. Vá embora, amigo. Agora vou dormir. Boa noite.
...
...
- Ariana?...
- Ariana?
Os olhos de Ariana fitavam o fogo. Olhavam a chama de uma vela que estava sobre um móvel da sala. Sua mente estava longe. Ela usa as velas para ver mais claramente o caminho, vê figuras distantes, nas sombras das árvores. Ariana usava uma túnica de linho e um suave perfume tomava conta da sala.
Era noite e a lua cheia percorria o céu durante esse sonho nebuloso de Ariana. Ela começou a falar:
- Lugh? Estou sonhando, meus olhos estão fechados. Quando é noite, meu tempo é preenchido com uma outra vida, só paro de vivê-la quando acordo, me afasto dos meus sonhos.
- Esse teu mistéio me intriga, amiga. Me responda em que estação do ano estamos?
- Outono? Primavera? Não sei, nada me afeta, Lugh, mesmo com meus olhos cerrados. Nada me afeta enquanto eu tiver essa vela comigo. As palavras saem de minha boca às vezes sem sentido, mas preciso lhe falar: há algo que busco, algo que não posso resistir.
- Ariana, você está brincando comigo? É uma forma de esconder seus sentimentos?
- Shhhh, ouça o silêncio, como é doce................................... Lugh, você ainda não entende... Um dia, quem sabe eu aprenderei uma forma melhor de te contar. Vá embora, amigo. Agora vou dormir. Boa noite.
14 April, 2010
Amor, de novo
Eu ficarei bem, pois aos poucos aprendo que é melhor sofrer e chorar - mas continuar amando as pessoas que me cercam - do que tornar-me fria e vazia como eles. Acho que o próprio amor que me aproxima, que me chama, também me protege e me afasta, me isola. Ingenuidade acreditar que vale a pena?
Ingênua como uma criança... pura... amor sem maldade, sem regra para aplicação.
Eu amo.
Faz um bem danado admitir isso sem medo.
Eu amo e sofro. Choro quase todas as noites nesse vazio que sempre vejo ao meu lado. Ainda que eu esteja acompanhada saberei que estou só. Mas sempre basta saber que amo, amei e sempre amarei aqueles que caminharem ao meu lado.
O sofrimento do amor é físico, o abdômem dói, o coração se aperta, pernas e braços tremem - dói! Não tem outra forma de falar isso: DOR!
Mas se um dia eu precisar mudar quem eu sou só para não doer mais, eu sei que o sofrimento será maior.
Meu egoísmo é modesto: eu quero amar até quem não me ama, quem não pretende ser amado, continuarei amando independente de qualquer coisa.
Prefiro ser eu a sofrer... Prefiro que as lágrimas sejam as minhas... Prefiro que a dor seja em meu corpo, pois sei que sendo quem eu sou, transformarei isso em um amor mais forte. Eu entraria em desespero ao ver as pessoas que amo sofrendo e correndo o risco de transformar o sofrimento em raiva, em ira, em vingança. Por isso prefiro ser eu a sofrer... Sei que transformarei meu sofrimento em coisas boas, aprenderei com a minha dor.
Quando eu acordar, eu vou sorrir. É mais um dia para amar. Me sentirei bela, não porque meu cabelo está de um jeito ou porque a balança me mostrou um número qualquer. Me sentirei bela porque mais um dia eu fui capaz de amar as pessoas que me cercam; saberei que por mais um dia eu resisti à tentação de odiar e rejeitar aqueles que querem meu mal.
Eu ando sozinha para poder continuar amando a todos. Continuarei chorando, mas feliz em saber que os outros são capazes de sorrir. Continuarei doendo, feliz em saber que dói em mim e não nos outros. Continuarei sorrindo, porque sou grata de ter recebido uma cruz que aprendi a carregar.
Ingênua como uma criança... pura... amor sem maldade, sem regra para aplicação.
Eu amo.Faz um bem danado admitir isso sem medo.
Eu amo e sofro. Choro quase todas as noites nesse vazio que sempre vejo ao meu lado. Ainda que eu esteja acompanhada saberei que estou só. Mas sempre basta saber que amo, amei e sempre amarei aqueles que caminharem ao meu lado.
O sofrimento do amor é físico, o abdômem dói, o coração se aperta, pernas e braços tremem - dói! Não tem outra forma de falar isso: DOR!
Mas se um dia eu precisar mudar quem eu sou só para não doer mais, eu sei que o sofrimento será maior.
Meu egoísmo é modesto: eu quero amar até quem não me ama, quem não pretende ser amado, continuarei amando independente de qualquer coisa.
Prefiro ser eu a sofrer... Prefiro que as lágrimas sejam as minhas... Prefiro que a dor seja em meu corpo, pois sei que sendo quem eu sou, transformarei isso em um amor mais forte. Eu entraria em desespero ao ver as pessoas que amo sofrendo e correndo o risco de transformar o sofrimento em raiva, em ira, em vingança. Por isso prefiro ser eu a sofrer... Sei que transformarei meu sofrimento em coisas boas, aprenderei com a minha dor.
Quando eu acordar, eu vou sorrir. É mais um dia para amar. Me sentirei bela, não porque meu cabelo está de um jeito ou porque a balança me mostrou um número qualquer. Me sentirei bela porque mais um dia eu fui capaz de amar as pessoas que me cercam; saberei que por mais um dia eu resisti à tentação de odiar e rejeitar aqueles que querem meu mal.
Eu ando sozinha para poder continuar amando a todos. Continuarei chorando, mas feliz em saber que os outros são capazes de sorrir. Continuarei doendo, feliz em saber que dói em mim e não nos outros. Continuarei sorrindo, porque sou grata de ter recebido uma cruz que aprendi a carregar.
04 April, 2010
Barro
Barro
Neste fim de semana eu fui trabalhar com barro para fazer uma peça que era importante para mim. Descobri várias coisas.
A primeira coisa que descobri foi que as mulheres de antigamente eram sábias, enquanto fiavam ou faziam outros trabalhos manuais, elas pensavam, refletiam, intuíam e descobriam coisas legais naqueles gestos simples e repetitivos que fazem parte dos trabalhos manuais.
Bom, mas eu acabei descobrindo outras coisas...
1. O barro precisa ser amassado, apertado, puxado até começar a tomar uma certa forma.
Nas primeiras tentativas o barro não ficava na forma que eu queria, então eu amassava tudo de novo, numa massa sem representação nenhuma, morta. Fiquei triste de ver tantas vezes o barro tomar forma e ter que voltar ao zero para recomeçar, mas eu não tinha como seguir adiante com a estrutura feita da forma errada.
2. Descobri que às vezes é melhor recomeçar do zero do que trabalhar na estrutura errada.
Depois de destruir a forma errada, eu recomeçava, tentando formas diferentes de chegar o mais próximo daquilo que eu tinha imaginado em minha cabeça. É difícil, pois não sou escultora, nem tenho muita intimidade com as artes. O barro resistia e eu pressionava mais. Percebi outra coisa: se eu pressionasse demais, a figura quebrava, então eu tinha que colocar a pressão que o barro fosse capaz de agüentar sem quebrar.
3. Descobri que quando trabalhamos com barro temos que conhecer a pressão que ele agüenta sem quebrar. Se quebrar, tem que começar do zero, tudo de novo.
Foram horas e horas de destruir tudo e começar de novo, apertando, alisando, batendo, acariciando, até que decidi fazer partes separadas para juntar tudo depois.
Um dos meus filhos olhou e falou: “mamãe, o que você está fazendo?” eu disse que queria fazer uma figura parecida com uma que a mamãe tinha desenhado no papel – e mostrei o desenho para ele. Ele viu as partes separadas, coçou a cabeça, fez uma careta e falou: “mamãe, não está nada parecido com o desenho, acho que não está certo”. Eu expliquei para ele que as partes separadas às vezes não fazem sentido, até que elas se juntem para formar a imagem final.
4. Descobri que às vezes as partes separadas parecem não fazer não sentido, pois não conhecemos os planos de quem está trabalhando o barro, mas sabemos que elas são muito importantes para o que se está construindo. Só entenderemos o que significavam aquelas partes quando visualizarmos o trabalho final.
Bom, finalmente cheguei na forma que eu queria, embrulhei em alumínio e coloquei no forno. Não podia ser muito tempo para não trincar, nem tempo de menos. Tudo tinha uma delicada forma de mostrar seus detalhes.
Deixei secando ao ar livre durante a noite.
Na manhã seguinte levantei a peça, vi que daquele jeito ela não ficava de pé, a base ainda não estava forte o suficiente. As pontas também, tinham se partido. Mas, tudo bem, eram detalhes que eu já esperava ter que ajeitar – reforcei as pontas, melhorei a base, o barro ainda não estava todo seco, então eu ainda podia trabalhar bem com a peça.
5. Descobri que mesmo quando achamos que o trabalho está pronto, ainda existem ajustes para que a peça se sustente sozinha.
O mais interessante dessa história toda foi quase no finzinho, quando eu acabava de ajeitar a base... Acho que exagerei um pouquinho na pressão e a peça se partiu ao meio, no coração.
6. Descobri que quando a gente não presta atenção, a parte que a gente achava que estava mais forte e que não precisava de cuidados, se quebra.
Consegui reunir tudo, a base, as pontas, o centro e deixei secando... Ainda não sei que resultado terei quando acabar de secar. Espero que dê certo porque descobri uma outra coisa:
7. Depois que o barro seca, não dá mais para juntar as peças, nem remodelar...
Meu filho finalmente perguntou: “mamãe, você demorou todo esse tempo, só pra fazer isso?” Eu sorri e disse a ele que a mamãe não é muito boa com essas coisas e que acaba precisando de um pouco mais de tempo para entender como certas coisas funcionam. O importante é que eu não desisti, nem fiquei triste com os contratempos e erros cometidos, entendi que eles me mostravam onde eu precisava mudar, melhorar, molhar, amolecer, endurecer, reforçar e acabei aprendendo bastante...
Trabalhos manuais são muito interessantes, afinal, somos feitos de barro, não é? Temos nossa própria resistência, nossas características e, aos poucos alcançamos nossa forma mais aperfeiçoada.
O mais importante desse aprendizado todo foi: seremos apertados, pressionados, às vezes acariciados, às vezes vamos precisar recomeçar do zero, vamos entender melhor onde a gente quebra mais fácil, onde somos mais fortes, onde pode por uma pressão um pouco maior, onde precisamos ter cuidado e nós precisaremos nos “molhar”, ou seja, precisamos preparar nossa matéria para nos mantermos maleáveis para sermos moldados, aceitando as pressões, apertos e carinhos que nos tornarão uma imagem que ainda não sabemos qual é. Foi isso que aprendi no meu trabalho com barro... Eu sou o barro!!!
Neste fim de semana eu fui trabalhar com barro para fazer uma peça que era importante para mim. Descobri várias coisas.
A primeira coisa que descobri foi que as mulheres de antigamente eram sábias, enquanto fiavam ou faziam outros trabalhos manuais, elas pensavam, refletiam, intuíam e descobriam coisas legais naqueles gestos simples e repetitivos que fazem parte dos trabalhos manuais.
Bom, mas eu acabei descobrindo outras coisas...
1. O barro precisa ser amassado, apertado, puxado até começar a tomar uma certa forma.
Nas primeiras tentativas o barro não ficava na forma que eu queria, então eu amassava tudo de novo, numa massa sem representação nenhuma, morta. Fiquei triste de ver tantas vezes o barro tomar forma e ter que voltar ao zero para recomeçar, mas eu não tinha como seguir adiante com a estrutura feita da forma errada.
2. Descobri que às vezes é melhor recomeçar do zero do que trabalhar na estrutura errada.
Depois de destruir a forma errada, eu recomeçava, tentando formas diferentes de chegar o mais próximo daquilo que eu tinha imaginado em minha cabeça. É difícil, pois não sou escultora, nem tenho muita intimidade com as artes. O barro resistia e eu pressionava mais. Percebi outra coisa: se eu pressionasse demais, a figura quebrava, então eu tinha que colocar a pressão que o barro fosse capaz de agüentar sem quebrar.
3. Descobri que quando trabalhamos com barro temos que conhecer a pressão que ele agüenta sem quebrar. Se quebrar, tem que começar do zero, tudo de novo.
Foram horas e horas de destruir tudo e começar de novo, apertando, alisando, batendo, acariciando, até que decidi fazer partes separadas para juntar tudo depois.
Um dos meus filhos olhou e falou: “mamãe, o que você está fazendo?” eu disse que queria fazer uma figura parecida com uma que a mamãe tinha desenhado no papel – e mostrei o desenho para ele. Ele viu as partes separadas, coçou a cabeça, fez uma careta e falou: “mamãe, não está nada parecido com o desenho, acho que não está certo”. Eu expliquei para ele que as partes separadas às vezes não fazem sentido, até que elas se juntem para formar a imagem final.
4. Descobri que às vezes as partes separadas parecem não fazer não sentido, pois não conhecemos os planos de quem está trabalhando o barro, mas sabemos que elas são muito importantes para o que se está construindo. Só entenderemos o que significavam aquelas partes quando visualizarmos o trabalho final.
Bom, finalmente cheguei na forma que eu queria, embrulhei em alumínio e coloquei no forno. Não podia ser muito tempo para não trincar, nem tempo de menos. Tudo tinha uma delicada forma de mostrar seus detalhes.
Deixei secando ao ar livre durante a noite.
Na manhã seguinte levantei a peça, vi que daquele jeito ela não ficava de pé, a base ainda não estava forte o suficiente. As pontas também, tinham se partido. Mas, tudo bem, eram detalhes que eu já esperava ter que ajeitar – reforcei as pontas, melhorei a base, o barro ainda não estava todo seco, então eu ainda podia trabalhar bem com a peça.
5. Descobri que mesmo quando achamos que o trabalho está pronto, ainda existem ajustes para que a peça se sustente sozinha.
O mais interessante dessa história toda foi quase no finzinho, quando eu acabava de ajeitar a base... Acho que exagerei um pouquinho na pressão e a peça se partiu ao meio, no coração.
6. Descobri que quando a gente não presta atenção, a parte que a gente achava que estava mais forte e que não precisava de cuidados, se quebra.
Consegui reunir tudo, a base, as pontas, o centro e deixei secando... Ainda não sei que resultado terei quando acabar de secar. Espero que dê certo porque descobri uma outra coisa:
7. Depois que o barro seca, não dá mais para juntar as peças, nem remodelar...
Meu filho finalmente perguntou: “mamãe, você demorou todo esse tempo, só pra fazer isso?” Eu sorri e disse a ele que a mamãe não é muito boa com essas coisas e que acaba precisando de um pouco mais de tempo para entender como certas coisas funcionam. O importante é que eu não desisti, nem fiquei triste com os contratempos e erros cometidos, entendi que eles me mostravam onde eu precisava mudar, melhorar, molhar, amolecer, endurecer, reforçar e acabei aprendendo bastante...
Trabalhos manuais são muito interessantes, afinal, somos feitos de barro, não é? Temos nossa própria resistência, nossas características e, aos poucos alcançamos nossa forma mais aperfeiçoada.
O mais importante desse aprendizado todo foi: seremos apertados, pressionados, às vezes acariciados, às vezes vamos precisar recomeçar do zero, vamos entender melhor onde a gente quebra mais fácil, onde somos mais fortes, onde pode por uma pressão um pouco maior, onde precisamos ter cuidado e nós precisaremos nos “molhar”, ou seja, precisamos preparar nossa matéria para nos mantermos maleáveis para sermos moldados, aceitando as pressões, apertos e carinhos que nos tornarão uma imagem que ainda não sabemos qual é. Foi isso que aprendi no meu trabalho com barro... Eu sou o barro!!!
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