14 April, 2010

Amor, de novo

Eu ficarei bem, pois aos poucos aprendo que é melhor sofrer e chorar - mas continuar amando as pessoas que me cercam - do que tornar-me fria e vazia como eles. Acho que o próprio amor que me aproxima, que me chama, também me protege e me afasta, me isola. Ingenuidade acreditar que vale a pena?

Ingênua como uma criança... pura... amor sem maldade, sem regra para aplicação.

Eu amo.

Faz um bem danado admitir isso sem medo.

Eu amo e sofro. Choro quase todas as noites nesse vazio que sempre vejo ao meu lado. Ainda que eu esteja acompanhada saberei que estou só. Mas sempre basta saber que amo, amei e sempre amarei aqueles que caminharem ao meu lado.

O sofrimento do amor é físico, o abdômem dói, o coração se aperta, pernas e braços tremem - dói! Não tem outra forma de falar isso: DOR!

Mas se um dia eu precisar mudar quem eu sou só para não doer mais, eu sei que o sofrimento será maior.

Meu egoísmo é modesto: eu quero amar até quem não me ama, quem não pretende ser amado, continuarei amando independente de qualquer coisa.

Prefiro ser eu a sofrer... Prefiro que as lágrimas sejam as minhas... Prefiro que a dor seja em meu corpo, pois sei que sendo quem eu sou, transformarei isso em um amor mais forte. Eu entraria em desespero ao ver as pessoas que amo sofrendo e correndo o risco de transformar o sofrimento em raiva, em ira, em vingança. Por isso prefiro ser eu a sofrer... Sei que transformarei meu sofrimento em coisas boas, aprenderei com a minha dor.

Quando eu acordar, eu vou sorrir. É mais um dia para amar. Me sentirei bela, não porque meu cabelo está de um jeito ou porque a balança me mostrou um número qualquer. Me sentirei bela porque mais um dia eu fui capaz de amar as pessoas que me cercam; saberei que por mais um dia eu resisti à tentação de odiar e rejeitar aqueles que querem meu mal.

Eu ando sozinha para poder continuar amando a todos. Continuarei chorando, mas feliz em saber que os outros são capazes de sorrir. Continuarei doendo, feliz em saber que dói em mim e não nos outros. Continuarei sorrindo, porque sou grata de ter recebido uma cruz que aprendi a carregar.

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