01 May, 2010

Ariana voltando a sonhar

Ariana voltou a sonhar. Ela sonhou com o beijo que há muitos anos ela não conseguia oferecer a ninguém. Nesses anos todos ela ficou fechada em suas paredes, pensando na longa estrada da reconstrução.

Primeiro ela se fechou pela raiva, um período muito triste e auto-destrutivo, machucando a si mesma com o sentimento ruim que a raiva traz junto com a vontade de vingança, a ira, o lado negro da força, ela afastou-se de sua própria essência e ficou desapontada por ter sido tão fraca e ter se tornado um monstro.

Depois fechou-se pela decepção, a tristeza de ver todo o seu mundo destruído, a desesperança, a vontade de não mais existir. Ela evitava lugares que - apesar de inofensivos - podiam dar a ela a chance de por um fim à própria vida. Ela tinha medo de, num ímpeto de desespero, fazer algo muito ruim. Foi a fase mais triste que Ariana teve e que hoje ela jura que não se permitirá mais sentir, nem por ela mesma, nem por ninguém, nada poderá fazê-la sentir-se destruída como ela sentiu-se naquela época.

Quando tudo aquilo passou, ficou a mágoa, ficaram as feridas ainda abertas e a solidão - que parecia oferecer mais conforto do que o calor da multidão. Ela se fechou por alguns anos, endurecida, fria como uma rocha, para suportar as ondas que batiam forte sobre ela, onda após onda, ela manteve-se firme, sem vida, apenas evitando a sua destruição.

Ela percebeu que mesmo tornando-se rocha, em algum momento as ondas acabavam erodindo suas paredes, arranhando sua pele. Percebeu que algumas rochas acabavam caindo e perdendo-se no mar depois de muito tempo ali paradas sofrendo a ação das ondas.

Decidiu então que não valia a pena ser uma rocha. Talvez fosse melhor ela fechar-se de outra forma... Ou não fechar-se mais.

Abrindo uma pequena fresta na janela, Ariana viu uma rosa vermelha que crescia no jardim. Ainda sem conseguir sair de casa, ela lembrava em seus pensamentos de como era bom o perfume da rosa, como as pétalas da rosa eram macias e que flor bonita aquela rosa era.

Lembrou-se também dos espinhos... Qualquer um que quisesse a rosa para si, se machucaria nos espinhos ao pegá-la. Ariana também não queria ser como a rosa, pois não queria machucar quem estivesse à sua volta. Mas ela precisaria de uma defesa contra aqueles que a quisessem agredir.

Olhando bem... quando chegamos perto de uma rosa da forma correta, e se a colhermos do jeito certo, apenas para replantar e não para matar a planta, não nos machucamos e nem machucamos a flor... Ariana decidiu que podia viver como uma rosa vermelha.

Ela queria ser bela, espalhar seu perfume e beleza por onde ela fosse, mas lembrando de manter os espinhos apenas para aqueles que a quisessem ferir, deixando os puros de coração aproximarem-se para oferecer amor em troca do amor que ela oferecia.

Ela sonhou que era beijada por um homem... Um homem que a abraçava como se abraça a um anjo, algo tão puro quanto o coração de Ariana hoje se sente.

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