23 May, 2010

Fênix

Guardei todos os textos anteriores, não joguei nada fora, apenas deixarei tudo guardado, já não sei o que cabe e o que não cabe escrever. Tenho vontade de escrever tudo, mas nada parece suficiente, nenhuma palavra parece capaz de expressar o que eu sinto.

Fênix me vem à mente... Sempre. Meu mundo está caindo e tenho certeza de que precisa ser assim para que eu possa renascer. Em meio às cinzas eu não enxergo o renascimento, não ainda. Estou a caminho da morte, difícil pensar em renascer quando se está definhando.

Mas o que me mantém forte durante esse final de ciclo é a esperança do renascimento, a esperança de que tudo recomeçará. Sei que ficarei bem, é sempre assim.

Ouvi uma frase interessante no último sábado: "Às vezes as pessoas olham só a embalagem". Quem nunca conversou comigo entenderá essa frase de um jeito tão estranho. Eu ainda não entendi, afinal, passei (e ainda passo) minha vida lutando contra uma aparência que me aprisiona.

Já me chamaram de macaco, já me disseram que eu tinha boca de sapo, tive um professor que olhou para mim e disse "nunca vi alguém tão feio", meu irmão me chamava de gorda, fui gorda em grande parte da minha vida, enfim, não tinha de onde eu entender que alguma coisa minha seria bela, então voltei-me para dentro.

Quando nosso exterior causa espanto, a gente se volta para dentro e tenta decobrir outras coisas, descobrir quem somos independentemente no nosso embrulho, sim, a camada externa nada mais é do que um embrulho.

Quando eu ouvi a frase neste sábado, dizendo para mim que às vezes as pessoas olham só a embalagem, eu, num primeiro momento, pensei, puxa... será que finalmente alguém está olhando meu interior e deixando minha feia casca para trás? Não, querida, nunca se esqueça que na fase de deixar morrer ninguém trará coisas boas. A pessoa queria dizer que eu era bonita e que pessoas mais feias que eu são mais belas por dentro.

Minha aparência é um fardo, seja ela uma coisa grotesca como foi até minha adolecência, seja ela mais aceitável socialmente como é hoje, sempre carrego essa cruz, por que? Tenho culpa de ter sido feia por fora quando ninguém me via? Tenho culpa de hoje não ser tão feia por fora e haver pessoas no mundo mais feias que eu? Isso importa pra alguém? Por que alguém se preocuparia?

Por que ninguém é capaz de ultrapassar essa barreira da minha aparência e finalmente me ver como sou? Ver que estou fragilizada? Ver que também choro, que também passo pelas minhas provações? Que sofro e que busco o conhecimento que todos eles têm... São todos tão sábios e eu sou tão pequena... Mas todos recusam-se a ajudar porque minha aparência diz a eles que eu não preciso de ajuda, pelo contrário, ainda jogam suas frustações em minhas costas, como se eu fosse capaz de suportar mais alguma coisa.

Entendam que estou morrendo e - caso não queiram me ajudar - ao menos não me atrapalhem... Deixem que eu morra e que eu renasça das minhas cinzas em paz! Deixe que eu trilharei meu próprio caminho.

Para os que ousarem caminhar ao meu lado, sejam bem-vindos, meu caminho é de amor e de felicidade. Para os que não quiserem... apenas me deixem ir, é só o que peço. Se não quiserem estar ao me lado, me deixem ir...

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