01 January, 1992

Fernanda

Fernanda ainda não engolia direito aquela história. "O que era mesmo que íamos fazer? Conhecer os pontos turísticos da região..." Isso parecia um grande pretexto para ficar a sós com Gustavo.

O que ela via em Gustavo, afinal de contas? Bonito? Digamos que ele é bastante agradável de se olhar. Charmoso? Sim, sem dúvida. Mas Fernanda estava confusa. Será que pelo simples fato de ser proibido, ela tinha mais vontade? Com certeza.

Mas o que mais atraía Fernanda era a curiosidade. Curiosa como ela só, Fernanda queria saber se as dicas dadas pela linguagem corporal dele corresponderiam à realidade. Jeito de andar marcado, como ela chamava, e ela conhecia bem aquele jeito de andar. Se ele fosse o típico homem de andar marcado que ela conhecia, ela ficaria bastante feliz.

Parênteses. Homens com andar marcado, segundo Fernanda, são homens que gostam muito (acima da média) daquilo que carregam entre as pernas e que têm bastante segurança de que o que fazem na cama é o melhor que uma mulher pode querer. Homens com andar marcado são os favoritos de Fernanda.

Lógico que ela tinha um frio na barriga que fez com que fumasse mais do que devia. "Meu gosto deve estar péssimo", ela pensou. Ela não sabia se deveria aguardar alguma dica, algum sinal para poder fazer o que ela mais gostava com homens de andar marcado: mostrar a eles que ela também sabia muito bem o que um homem quer; e dizer, sem palavras, que ela também gosta muito de tudo aquilo.

Será que Gustavo estava levando a sério esse negócio de reconhecimento da região? Tudo bem, ele era um pouco novo, mas para bom entendedor meia palavra basta. Respeito acima de tudo e, ôpa, ele chegou.

- Olá Gustavo. Tudo bem?

- Tudo. Vamos lá?

- Vamos - disse Fernanda, enquanto pensava: "Céus, ele está levando isso super a sério".

E lá foram Fernanda e Gustavo, passeando de carro com turista e guia. A cada construção ou praça que ele mostrava, Fernanda se sentia péssima, pois só conseguia olhar para o colo de Gustavo, já nem prestava atenção ao que ele dizia. "Eu deveria estar ali sentada no colo dele, encaixada, enquanto ele me mostra tudo isso. Seria bem mais divertido".

Depois de alguns trajetos, curvas e monumentos, Fernanda estava já querendo pular em cima de Gustavo, mas ele não dizia nada, absolutamente nada que não fosse representando o guia turístico.

O fim da tarde começou a virar noite, eles entraram em uma rua um pouco mais vazia e Fernanda pensou: "Se eu quiser alguma coisa desse homem, vai ter que ser por minha conta. Céus! Tomar um 'não' na testa nunca é fácil, mas é o pior que pode acontecer!".

- Olha, Gustavo! Vamos parar aqui para eu poder ver um pouco mais essa paisagem.

Ele parou o carro e perguntou:

- Que paisagem? Aqui só tem mato.

Colocando uma das mãos na coxa de Gustavo, Fernanda disse:

- Se eu abrir teu zíper, você vai ficar muito furioso comigo?

Ele não respondeu, mas sorriu consentindo com a situação. Fernanda abriu o zíper e tocou o membro já rígido de Gustavo para trazê-lo para fora das calças.

- Ah, escondendo o jogo, né? Já estava todo alerta e nem me disse nada, Gustavo.

- Eu nunca ia dizer nada e você sabe disso.

- Uma grande sacanagem de sua parte, esconder algo tão gostoso de uma mulher tão gulosa como eu.

- Gulosa, é?

- Gulosa.

Fernanda inclinou-se para alcançar com a boca a "guloseima" que Gustavo tentara esconder dela. Ao contrário do que ela havia imaginado, ele não demonstrou nenhuma restrição. Ele estava bastante extasiado com os "beijos" ardentes que recebia de Fernanda. A cada sucção, a cada movimento, Gustavo ficava mais ofegante.

Receoso, porém já bastante estimulado, tomou coragem de segurar com força os cabelos de Fernanda enquanto ela o chupava. Isso fez com que ela gemesse. Essa história de puxar os cabelos a deixava bastante excitada, principalmente pelo fato de, finalmente, ter recebido um sinal ativo de receptividade de Gustavo.

Ele tentou puxá-la de volta para cima, com certeza já com vontade de entrar no corpo de Fernanda, mas ela insistiu em ficar lá, mais um pouco, mais um pouco, usando mãos, lábios, língua, até que Gustavo se rendeu, gozando na boca de Fernanda.

- Hummmm, que coisa boa...

- Porra, Fê, você é foda.

- Foi tão ruim assim? - risos.

- Lógico que não. Um tesão, mas não agüentei, né?

- Mas não era pra agüentar. Era pra gozar.

- Queria te comer naquela hora que te puxei e você não parou.

- Então por que, agora, ao invés de me mostrar esses lugares chatos, você não me leva pra conhecer um lugar mais gostoso? Onde a gente possa ficar mais à vontade?

- Eu achei que você não ia fazer isso. Achei que você estava só blefando quando falou que queria...

- Eu não blefo, caralho! Já te falei que não blefo!

- Como é que eu ia saber?

- Gustavo, sério, se você acha que não dá, tudo bem, mas, céus, não é justo você me deixar assim... coloca a mão aqui! - ela agarrou a mão de Gustavo e colocou-a entre suas pernas por baixo da saia.

- Você tá super molhadinha, sem calcinha, puta que pariu.

- Me leva daqui, vamos, vai...

Gustavo ligou o carro novamente e começou a andar meio sem rumo.

- O pior é que eu não sei onde tem um lugar desses aqui nesse bairro.

Enquanto eles seguiam pelas ruas meio sem destino, os olhos de Fernanda se iluminaram. "Eu sabia que ele era um homem de andar marcado, eu sabia... Falta pouco pra eu ter a prova final!"

- Você achou que eu só te provocava por pura sacanagem? - Fernanda perguntou com um sorrisinho na boca.

- Achava. Achava que você gostava só desse joguinho de provocar sem colocar em prática.

- Eu só jogo se for pra ganhar. E eu não blefo, aprendeu agora?

- Ainda não. Escuta... Você não quer dirigir um pouco?

Fernanda olhou enigmática para Gustavo...

- Claro. Encosta aqui que eu passo pro outro banco.

Enquanto ela dirigia, Gustavo resolveu esquecer os receios e restrições que antes poluíam suas idéias, levantou a blusa de Fernanda e começou a chupar os seios dela...

- Filha da puta, ainda por cima vem sair comigo sem calcinha e sem sutiã! Você já tinha tudo maquinado, né?

- Alguém tinha que pensar por nós dois. Você fica todo sério...

- Sério? Eu? Quem é sério? - e colocou a mão sob a saia de Fernanda acariciando-a enquanto continuava a beijar seus seios.

- Ah, aaaaaaa - aaaaaaaassim eu vou bater o carro!!!

- Pára o carro, não vou procurar porra nenhuma de Motel.

Enquanto Fernanda estacionava, Gustavo girou a alavanca do banco fazendo o encosto de Fernanda descer até ficar horizontal.

- Aqui!?

- Você acha que é brincadeira, é? - e Gustavo se colocou sobre o corpo de Fernanda, ela já tinha a blusa e a saia levantadas, deixando quase todo seu corpo nu.

- Fala! Você acha que é só uma brincadeira? - ele insistiu, agarrando com força os cabelos de Fernanda.

- Não, não acho, mas continua falando assim comigo que eu vou gozar só de te ouvir falaaaar, aaaah caralho....

Gustavo já estava dentro dela e ela teve então certeza de que ele é um legítimo homem de andar marcado. Ele parecia sentir raiva, ou fúria, ou aquilo que os homens sentem quando seus instintos saltam à flor da pele e Fernanda adora isso.

Talvez a situação, o local, o fato de finalmente estar com o homem que a deixava tão curiosa, talvez o fato de ser algo proibido, um pouco do sabor da vitória, talvez um misto de tudo isso, fez com que Fernanda se entregasse de tal forma, gozando como há muito tempo não gozava.

Ao relembrar daquela tarde, Fernanda ainda fica molhada, se acaricia, lembrando de como foi bom o gozo que Gustavo havia proporcionado a ela. Mas como eles dois já sabiam desde o início das brincadeiras, tudo o que haviam feito era justamente para isso. Para saberem o que estava escondido no lado mais instintivo de cada um. E só.

Hoje em dia, em ocasiões sociais, quem olha para eles juntos, conversando e rindo civilizadamente, é incapaz de sequer cogitar que aqueles seres tão comuns poderiam ter alguma coisa além de uma amizade pura e simples - mas eles tinham algo além... a lembrança de uma única vez em que puderam mostrar-se um ao outro como verdadeiramente são.

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