01 January, 1992

Diana

Era um misto de curiosidade, respeito e vontade. Um pouco de receio; medo, talvez. Medo? Quem diria... Mas, sim, medo. Ela queria saber como era, precisava de uma amostra que fosse, para saber se ia gostar. Receio de que estivesse sendo apressada, adiantando as coisas que deveriam ser deixadas em seu próprio curso.

Diana sabia que se ele pedisse, ela diria sim; mas se ele duvidasse ou se ela começasse a rir, tudo estaria perdido.

Aconchegou-se junto ao travesseiro. Ela precisava confortar seu corpo, aquecê-lo de alguma forma. Mas aquilo não era suficiente, ela não conseguia dormir...

Diana, então, ficou acordada, com seus devaneios, pensando na barba bem desenhada de André, nas mãos macias... E só! Era só isso que ela conhecia. Ah, sim, o abraço, ela conhecia o abraço, sempre de um conforto inacreditável, sempre quente. E o cheiro dele, sempre bom.

Ela o imaginava ali, ao seu lado, olhando para ela. Mesmo que parecesse loucura, Diana sorriu, como se sorrisse para ele, imaginava-o sorrindo de volta, aproximando-se do rosto dela, perguntando se ela se deixaria beijar. Ela sorriu novamente, dizendo que ela havia sonhado tantas vezes com aquele beijo, tantas vezes com medo de pedir-lhe isso, envergonhada por imaginar tantas loucuras e tantas coisas que ela gostaria de pedir-lhe... E ele pedia um beijo... Um simples beijo...

- Sim, claro que sim! - Diana disse em silêncio no quarto, com medo de parecer maluca falando para as paredes.

Os olhos dela se fecharam por cinco segundos e ela imaginou que o rosto dele já havia chegado junto ao dela, ela podia sentir a respiração dele próxima à sua. As bocas se aproximando. Então, ela abriu os olhos.

Ela não estava em seu quarto, deitada com o travesseiro, mas estava num sofá, numa sala, com uma taça de vinho na mão. Era a sala da casa de André, aquele homem que a deixava tão curiosa.

- Vinho?

- Sim, obrigada, mas você havia me perguntado algo...

- Eu? Não, não perguntei nada, só se você quer vinho. Você estava meio longe, pensativa. Mas, enfim, quer um pouco de vinho?

- Eu quero... Mas eu não estava aqui, eu estava em casa...

- Sim, foi o que aconteceu. Você estava em casa e me ligou dizendo que precisava conversar com um amigo. Pensou em mim e me sinto muito bem em saber que você me procurou quando precisou de um amigo.

- Eu não preciso de "um amigo". Eu preciso falar com você, só com você, na verdade.

- O vinho está bom?

- Uma delícia.

Diana olhou para seu próprio corpo. Esperava ver sua camisola branca, que usava quando se deitou para dormir. Mas ela não estava de camisola. Ela usava um vestido preto, simples, mas bonito. Quando tomou uma consciência um pouco maior de seu corpo, percebeu que usava apenas o vestido e sapatos, ela não vestira mais nada... Sentiu-se constrangida. Será que André havia percebido? Claro que sim, ele não é nenhum idiota, é um homem experiente... Ele já deveria imaginar o que ela queria.

- Estou um pouco confusa. Ainda não sei direito o que aconteceu e como vim parar aqui. Você disse que eu te liguei... Eu queria falar com você, mas não lembro de ter ligado.

- Não se lembra de me ligar? Isso parece estranho.

- Quando eu te liguei eu disse mais alguma coisa?

- Não. Apenas perguntou se eu estava ocupado e se você podia vir aqui conversar comigo. Eu disse pra você vir. Desculpe, mas você está bem?

- Estou bem. Deixemos esta confusão de lado, então.

- É melhor. Eu também queria falar com você.

- Verdade? O que você queria me dizer?

- Eu tenho um carinho muito grande por você e você sabe disso. Tenho notado que às vezes você me olha de uma forma diferente, não sei bem explicar.

- Eu sei. Quer dizer, imagino o que seja. É sobre isso que eu queria conversar.

- Então me diga: quando você me olha, me dá a impressão de que você pensa em mim não como um amigo, mas algo além.

- Eu realmente penso em você de uma outra forma.

- Isso é muito bom de saber. O que você pensa quando me olha daquele jeito?

- Penso em você como um homem que me faz ter certas vontades... Ai, por favor, que situação. Nunca me imaginei falando tão abertamente, tenho um respeito imenso pela nossa amizade e, claro, por você. Sirva-me mais um pouco de vinho para eu ficar mais relaxada, isso não é fácil para mim.

- Mais um pouco só, não quero que você passe de relaxada a inconsciente. Quero muito saber o que você veio me contar. Pronto, aí está seu vinho. Continue.

- Eu fantasio coisas, situações, tenho devaneios. Você aparece nessas situações. É um misto de curiosidade, ao mesmo tempo te respeito muito e não queria ser agressiva, nem parecer vulgar. Apenas sinto desta forma. É um misto de curiosidade, respeito e vontade. Um pouco de receio; até medo...

- Medo?

- É. Medo de sentir o que eu sinto.

- Nunca te imaginei com medo. Você parece sempre tão segura das coisas que quer.

- Nem sempre. Você me deixa meio bamba... Meio sem chão.

- Eu queria te pedir uma coisa há muito tempo, mas jamais imaginei que você pudesse querer algo comigo, afinal... Veja só quem sou e veja você!

- O que você queria me pedir?

- Um beijo, apenas um beijo e eu achava que isso seria um abuso, uma agressão à nossa amizade.

- É tão incrível. Eu desejo te dar um beijo há muito tempo.

- Então, posso te beijar?

Sem que Diana respondesse, ele tomou o rosto dela em suas mãos, acariciando suavemente a pele agora ruborizada de sua face e a beijou.

Beijaram-se vagarosamente, começando a conhecer finalmente o sabor um do outro.

Um pouco mais famintos, beijaram-se com mais vigor. Ele ainda segurando o rosto dela com uma das mãos, deslizando a outra para acariciar os longos cabelos de Diana, descendo ao pescoço, fazendo-a arrepiar-se. Passou a segurá-la pela nuca, juntando ainda mais os dois rostos.

Enquanto uma mão de Diana repousava indefesa sobre o sofá, a outra mão, mais corajosa, aproximou-se do tórax dele, tocando-o, sentindo um batimento forte dentro do peito, sentindo o calor do corpo que ela tanto desejava.

- Isso é bom - ela disse.

- É ótimo. Nunca imaginei...

- Eu imaginava e queria há tanto tempo...

- Se você me falasse antes...

- Faltava coragem... Mas eu queria, queria tanto...

Novamente se beijaram e desta vez, a mão de Diana que antes repousava, tomou o rosto de seu amigo e a outra mão passou a desabotoar a camisa que ele usava.

- Você imaginou mais coisas, também, Diana?

- Eu imaginei tudo que há para se imaginar. Você é um homem incrível.

- Você é uma caixa de surpresas. Eu jamais teria sequer tentado... Te imaginava inatingível, totalmente fora do meu alcance.

Diana afastou-se um pouco, receosa, o medo novamente falava mais alto.

- Eu não sou assim, quer dizer, não faço isso a toda hora. Não sei por que estou me explicando, mas estou um pouco receosa com o que você pode estar pensando... Eu estou seguindo um impulso, isso pode ser errado.

- Diana, me escute. Eu sei quem você é. Não há porque se retrair. Você veio até aqui para expressar um sentimento e eu correspondo a este sentimento, me sinto atraído por você, você me entende? É algo que eu guardava como uma fantasia irrealizável, jamais imaginei...

- Eu quero tanto... Tanto...

- Se eu pedir... Você diz sim?

- Peça...

- Diana...

- Estou com medo de rir. Estou tão feliz, mas ao mesmo tempo tão apreensiva – tão envergonhada do que estou fazendo.

- Isso que você está fazendo... Isso te faz sentir mal? Você acha que vai se arrepender?

- Não. Estou feliz em poder ser fiel ao que estou sentindo.

- Se eu pedir...

- Eu digo sim, André. Eu digo sim.

- Me abrace. Você não está usando nada por baixo deste vestido, não é?

- Você percebeu?

- Nenhuma marca no vestido, nenhuma calcinha, nenhum sutiã... Nada.

- Não me deixe encabulada, ainda não sei como eu vim parar aqui...

- Vamos então crer que os anjos te carregaram, porque eu precisava muito te ver.

- Você está dizendo isso para eu não me sentir tão insegura... Mas eu praticamente te forcei a esta situação...

- Pare Diana. Me abrace.

Em meio ao abraço, André deslizou as mãos pelas costas de Diana, achou um zíper e o abriu. Sentiu a pele de Diana arrepiar-se ao toque das mãos dele. Sentiu a respiração ofegante de sua amiga tornar-se uma sinfonia aos ouvidos de um homem ávido por conquistar aquele corpo que ansiava pelo seu.

- Tire o vestido - ele pediu.

Ela levantou-se, fazendo o vestido deslizar pelos braços nus, o tecido escorregar pelos seios, cintura, quadris... Ela ficou nua diante dele.

- Você é linda Diana. Não sei como você pôde se esconder de mim tanto tempo... Você queria! Você queria! Se eu soubesse antes...

- Você sabe agora. É isso que importa. Precisei de muita coragem para te dizer tudo o que eu disse.

Ela sentou-se no colo de André, de frente para ele. Ela podia sentir a rigidez que se escondia dentro das calças de seu amigo.

Beijaram-se novamente e as mãos de Diana, agora já descontraídas, passaram a tirar a camisa de André, deixando que os dois corpos se unissem. As mãos dele passeavam pelos seios de Diana, pelos quadris e coxas.

Diana sentou-se no sofá e pediu:

- Levante-se André.

Ele levantou-se e ela, sentada de frente para ele, desabotoou as calças, baixou o zíper e pôde olhar bem de perto para um pênis lindo, intumescido. Começou a beijar e sugar acariciando também com as mãos, podendo de relance ver o rosto de André extasiado com as carícias que recebia. Diana estava extasiada também, era muito prazeroso poder expressar os seus desejos mais escondidos, por todo esse tempo em que ficou reprimindo o que sentia por André.

- Deixe-me sentar ao seu lado - pediu André.

Ele debruçou-se sobre Diana, beijando-a na boca e deslizando as mãos até seu sexo úmido, acariciando-a, fazendo-a ficar ainda mais ofegante, com dificuldade para continuar beijando-o. Ela mordiscava os lábios de André, parecia querer devorá-lo, arranhava as costas fortes dele, como se quisesse puxá-lo inteiro para dentro dela.

- André... Eu quero dizer sim...

- Então diga! Diga sim para mim.

- Sim! Eu te quero muito... Quero te sentir dentro de mim, venha...

André deitou-a sobre o sofá, admirou mais uma vez o corpo nu de Diana iluminado pela pálida luz amarelada do abajur. Passeou com as mãos pelos seios, pelo ventre, segurou-a forte pelos quadris e penetrou-a.

O êxtase desse momento fez a respiração de Diana paralisar-se por alguns segundos de magia e satisfação. Com movimentos fortes, ao mesmo tempo gentis, André fazia com que ela gozasse repetidas vezes, sem nunca parar de acariciá-la, tocando seus seios, sua boca, fazendo com que ela tentasse morder seus dedos, num apetite de querer trazê-lo inteiro para dentro dela.

Diana tentava agarrá-lo o mais forte possível, arranhava as costas, as nádegas e coxas de André, tentando trazê-lo o mais perto possível, já impossível de ser mais perto...

Beijaram-se alucinadamente, devorando um a boca do outro, arranhando-se e gemendo como amantes insaciáveis que tentam fazer o momento ser eterno, mas sabendo que mereceriam um desfecho, um gozo supremo, uma explosão de satisfação extrema.

Quando já não conseguiam mais perdurar a ânsia de entregar-se completamente, gozaram juntos, encantados e extasiados, ofegantes, com os corpos suados, molhados, lambuzados, dois amigos amantes, sedentos um pelo outro, sem que soubessem que tudo correria tão bem.

- André... Nunca me senti tão completa.

- Foi melhor que qualquer das minhas fantasias mais loucas.

- Vou tomar mais vinho. Descanse...

Diana levantou-se ainda meio cambaleante, serviu-se, serviu André, acariciou os cabelos e a barba macia de seu amigo... Tomaram mais um pouco de vinho e ficaram em silêncio, ainda saboreando a alegria que estavam sentindo naquele momento glorioso.

- É bom que você descanse, porque não vou embora sabendo o que estou deixando aqui. Não quero perder mais nenhum minuto sabendo que posso estar com você dentro do meu corpo.

- Você não ousaria ir embora e me deixar aqui, neste estado...

Ao ver que André já estava bem descansado, pronto para recomeçarem, Diana sorriu e deitou abraçando André com seu corpo inteiro.

Pela cabeça de Diana rapidamente passou o pensamento de que tudo aquilo era só um sonho e que ela acordaria na sua própria cama, sozinha, abraçada ao travesseiro.

Mas não, agora ela tinha certeza de que os anjos a tinham carregado para a casa de seu amigo, afinal, eles ainda tinham muito o que conversar...

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