As nuvens se entreolhavam negras no céu enquanto Samantha colhia morangos no quintal dos fundos de sua casa. Era uma tarde quente de verão, mas os céus prometiam chuva e trovoadas ao anoitecer.
Samantha mora numa casa de barro no meio da Floresta de Blackwoods, norte da Inglaterra, onde dizem que habitam as bruxas, mas não, nada disso, ela é apenas uma mulher de vida simples, que vive sozinha colhendo seus alimentos e tecendo cestos e tecidos para vender às mulheres da cidade. Às vezes alguns homens aparecem por lá, acreditando ser ela uma feiticeira e esperando um encantamento que os deixem mais fortes, mais bonitos, mais poderosos... Mas a única coisa que Samantha pode fazer por eles... ela faz, que é deixá-los mais fortes, mais bonitos, mais poderosos por algumas horas, depois eles vão embora acreditando que aquilo é pra sempre e Samantha continua feliz a sua vida pacífica.
Naquele dia, depois de recolher os morangos para o interior da casa, Samantha se lavou e pôs-se a cozinhar uma sopa de ervas que facilitava seu relaxamento e sua meditação, eram ervas da floresta, com cogumelos e flores também. O perfume da sopa assemelhava-se ao cheiro de absinto, o que deixava Samantha com muita vontade de que um daqueles homens da cidade viesse visitá-la naquela mesma hora.
Ao anoitecer, as nuvens que antes se entreolhavam no céu entraram em conflito e começou a chover torrencialmente, com trovões e relâmpagos. Mas Samantha não se assustava, porque conhecia bem as tempestades de verão daquela floresta, acendeu uma vela e terminou de preparar a sopa, servindo uma porção num prato fundo.
Ela pegou seu prato, uma colher, a vela acesa e sentou-se numa espécie de poltrona – na verdade um monte de feno encoberto por um tecido macio – diante de um espelho comprido que ela mantinha na sala. Enquanto tomava a sopa, ela se olhava no espelho, via uma moça de 20 anos de pele clara, de olhos azuis, traços finos... Era ela, logicamente, o que mais ela poderia ver num espelho?
Quando terminou sua sopa, sua mente já estava em transe, ela continuava olhando o espelho e teve vontade de beijar a moça da imagem, o perfume de absinto já havia tomado conta de sua casa e ela, agora mais que nunca, precisava que um daqueles homens da cidade aparecesse, mas quem apareceria em meio a uma tempestade daquelas?
Ao mesmo tempo, a moça do espelho parecia tão bonita e Samantha percebeu que tudo o que fazia a moça da imagem repetia, ficou contente em ter uma companhia. Ficou de pé e desamarrou o vestido, deixando que ele caísse ao chão – a imagem fez o mesmo. Samantha começou a tocar seus seios arredondados, não eram nem grandes nem pequenos e seus mamilos, enquanto eram acariciados, ficavam duros, o que fazia com que ela sentisse ainda mais prazer em acariciá-los. A moça do espelho fazia o mesmo, sempre.
Samantha sentou-se novamente e abriu suas pernas diante do espelho, a imagem também. Viu que abaixo de seus pelos encontrava-se uma pele rosada, úmida. Tocou seu sexo com os dedos da mão direita enquanto a outra mão continuava a acariciar-lhe os seios – sempre olhando sua amiga do espelho. Samantha já começava a sentir mais e mais a umidade de seu sexo, aquilo que ela estava fazendo lhe dava muito prazer, ela não tinha vontade de parar, mas, neste momento, ouviu um grito ao longe e um som como de uma queda. Por alguns instantes Samantha ficou irritada por ter que interromper ritual tão belo, mas enfiou seu corpo numa camisola branca de algodão e abriu a porta para ver o que acontecia.
No horizonte escuro, em meio a flashes de raios e relâmpagos ela pôde distinguir a imagem de um cavalo correndo, fugindo e viu a imagem de um homem no chão. Samantha correu em meio aos pingos agressivos daquela chuva quente na direção do corpo caído. Não estava tão longe quanto ela imaginava.
Quando alcançou o homem, agachou-se, mas não conseguiu ver seu rosto porque, além da escuridão e da chuva, os cabelos longos dela e dele se misturavam, escondendo os rostos dos dois. Ajudou o homem a se levantar e levou-o até sua casa.
Quando adentraram a casa, Samantha pediu que o homem se sentasse na poltrona e foi buscar um pano para que ele se secasse:
- O senhor está ferido?- Não, não me machuquei. Meu cavalo, que sempre foi tão bom companheiro, assustou-se com um trovão e saiu em disparada me derrubando, mas não aconteceu nada comigo, senhora, minhas costas doem um pouco, é só.
- Venha, tire essa roupa molhada, seque-se e enrole-se neste cobertor, o senhor terá que me desculpar porque não tenho roupas de homem em minha casa, você terá que esperar até que as suas roupas sequem.
- Eu prefiro não me despir.
- Por quê? É importante que a umidade não fique em contato com o corpo, você pode ficar doente se continuar vestido. Vamos, eu te ajudo, já vi homens nus, você não tem nada para esconder de mim.
- Eu não posso, não p...
Era tarde, Samantha já havia começado a tirar as roupas do homem e percebeu porque ele não queria isso. Samantha esqueceu que estava vestida com uma camisola branca de algodão e que na chuva o tecido branco fica transparente. Quando aquele homem viu os contornos do corpo de Samantha transparecerem pelo tecido molhado sentiu uma atração tão forte que seu membro ficou enrijecido. Então Samantha entendeu porque ele não queria tirar as roupas, mas ele não tinha nada do que se envergonhar, ela nunca tinha visto membro tão belo em sua vida.
- Meu senhor... Isso... é enorme, eu nunca...
- Venha, dê-me a toalha para que eu me seque e vou me enrolar no cobertor, não vou fazer nada que você não queira, não sou um tipo de monstro, você me salvou, onde mais eu acharia abrigo numa noite destas no meio da floresta? Não se assuste com meu membro.
- Assustar? Ele é lindo... Mas, sim, seque-se, vou trocar de roupa também e vou servir um prato quente de sopa para que o seu corpo fique aquecido.
- Esse perfume...
- É a sopa. Já volto.
Depois de alguns minutos, Samantha voltou vestida com uma manta negra e com um prato de sopa nas mãos. O homem, agora seco, parecia a Samantha a figura mais bonita que ela já vira na Terra. Ele tinha cabelos longos e negros como a noite, como um cavaleiro deve ter, não tinha barba, mas seu corpo era coberto de pelos negros sobre uma pele queimada de sol. O cobertor só tampava da cintura para baixo o que fez com que Samantha não conseguisse tirar os olhos do tórax do cavaleiro.
- Tome, sua sopa.
- O que tem nesta sopa?
- Nada que possa te fazer mal e calor que te fará bem, vamos, tome. Ela vai te aquecer e te relaxar, você pode dormir aqui na sala e amanhã pela manhã procuraremos um meio de te levar de volta à cidade.
- A sopa está uma delícia... e esse perfume... está embriagando meus sentidos...
- Sim, parece, é uma sopa especial, que preparo quando quero relaxar.
- Sim, entendo. Me sinto tão... Quem é aquela moça no quadro? Ela se move?
- Não é quadro, é um espelho refletindo minha imagem. Sou eu, vês?
- Sim, claro, acho que a sopa, o perfume, estou me sentindo estranho... Existe um outro cheiro...
- Não sei que cheiro pode ser esse, meu senhor...
- Um cheiro, sim, um cheiro extasiante... Espere, vem de você. Dê-me sua mão.
- O que há na minha mão?
- Deixe-me sentir seu cheiro.
Samantha ficou um pouco envergonhada porque era justamente a mão que ela estava usando para acariciar seu sexo antes da chegada do homem.
- Sim, é esse cheiro, o que você colocou na sua mão para ter esse cheiro?
- Eu... É que... bem, antes de ouvir o grito... eu...
- Você se acariciava, meu anjo? Esse cheiro é do seu sexo?
- Eu... eu...
- Não tenha vergonha, isso é lindo. Por que você não continua fazendo o que estava fazendo antes de eu aparecer? Deixe me ver essa forma tão bela se acariciando e sentindo prazer...
- Eu havia terminado meu prato de sopa e comecei a olhar no espelho, tirei minha roupa...
Samantha repetiu tudo o que estava fazendo antes do cavaleiro aparecer. Tirou o vestido e, novamente, o cheiro de absinto invadiu seu corpo, Samantha tocou seus seios, novamente seus mamilos ficaram rígidos, e a imagem no espelho acompanhava, e ela olhava. Os cabelos longos e loiros de Samantha corriam por sua pele até a cintura, refletindo a luz da vela que queimava já mais fraca.
Samantha sentou-se na poltrona de feno ao lado do seu cavaleiro e abriu suas pernas diante do espelho, começou a acariciar seu sexo, agora mais freneticamente porque sentia uma outra energia no ar, sentia a presença e o cheiro de um homem em sua casa. Com a outra mão ainda acariciava o seio, ela olhava tudo pelo espelho, como se estivesse acariciando a sua imagem e o cavaleiro não tirava os olhos da mulher de carne e osso que transpirava prazer ao seu lado. O cheiro de absinto e as carícias em seu corpo deixavam Samantha fora de si e ela, sem perceber, gemia e se contorcia, até que o seu companheiro pediu:
- Senhora, quero ajudá-la a sentir mais prazer, posso?
- Sim, meu cavaleiro solitário, beije meu outro seio.
- Sim, eu beijo, você salvou minha vida e agora podes me pedir o que quiseres.
- Beije, beije com sua língua macia esse meu seio rígido.
- Tua carne é perfumada, senhora, que seios deliciosos, deixe-me provar mais do teu corpo.
- Venha, venha e beije meu sexo, acaricie essa pele rosada com seus lábios e sua língua.
O cavaleiro, então levou a boca dos seios para a barriga e da barriga para o sexo úmido de Samantha. A imagem no espelho acompanhava os dois, mas o cheiro de absinto e torpor sexual da sala fizeram com que a imagem de Samantha saísse do espelho e começasse a sugar o membro longo e rígido do cavaleiro enquanto ele chupava o sexo de Samantha.
- O que é isso? Que tesão! Como você fez isso?
- O quê? Ah, sim, já te falei, sou eu... continue, é só minha imagem, ela vai se juntar a nós, isso, continue, não pare... Ai que tesão estou sentindo... chupe mais, enfie a sua língua dentro de mim... Não pare...
- Não sou louco de parar, isso é maravilhoso, que tesão... quero colocar meu membro dentro de você, quero te ver gritar de prazer, meu anjo...
- Venha, enfie tudo dentro de mim... Me faça chegar aos céus...
O homem então deitou Samantha na poltrona e, ajoelhado no chão, colocou nela seu membro duro enquanto a imagem acariciava o corpo do cavaleiro com as mãos e lambia os seios e o pescoço de Samantha delicadamente.
O homem já não sabia se olhava para a imagem que lhe acariciava o corpo ou para a mulher que se contorcia de prazer atiçada pelos movimentos do seu membro. Samantha gritava, gemia como se estivessem lhe dando o néctar da vida, a terra tremia e a luz branca da vela transformava-se em púrpura, azul, rosa, vermelho... Quando achou que seu ventre explodiria de tanto prazer... ele explodiu... Samantha teve o maior e melhor orgasmo da sua vida... ela foi aos céus e voltou em tempo de ver sua imagem sugando as últimas gotas de gozo que ainda saíam do membro do cavaleiro.
- Volte para seu espelho, imagem, deixe eu provar um pouco do néctar deste homem enviado pelos deuses.
- Néctar, meu anjo? Se isso é néctar e se você gosta eu posso te satisfazer com ele todos os dias da minha vida.
- Eu viveria disso para o resto da minha...
Enquanto os dois corpos nus descansavam na poltrona, a chuva foi se acalmando e a imagem, que ainda não havia voltado para o espelho, silenciosamente caminhou até a vela e apagou-a, para que os dois descansassem...
Na manhã seguinte, o cavaleiro acordou sozinho na sala, ainda em estado de torpor, não encontrou ninguém dentro da casa. Ficou preocupado em não ver seu anjo por ali, foi quando percebeu um movimento no espelho da sala. Aproximou-se para ver o que era e viu duas imagens de Samantha se beijando.
Quando as imagens perceberam que eram observadas, acenaram um adeus ao homem e caminharam juntas para dentro do espelho até desaparecerem...
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