12 July, 2010

Cavaleiros

Sem que o Cavaleiro de Ouros deixasse os pensamentos de Ariana, ela viu no horizonte o prenúncio do retorno do Cavaleiro de Copas.

Dúvida? Indecisão? Não, não, Ariana não deixa de viver a própria felicidade enquanto pensa em seus lindos cavaleiros. Apenas gostaria de ter o abraço de um deles nesse momento. Um abraço quente e forte, que a protegesse do frio nas noites de inverno.

Pode ser que o Cavaleiro que Ariana tanto deseja não seja nenhum desses dois, mas ela queria tanto que fosse um deles. São Cavaleiros reais, dignos de receber todo o amor que Ariana tem para oferecer. Dedicação a alguém merecedor dessa atenção.

Pode ser que ambos os Cavaleiros se mostrem indignos. Quantas vezes no passado Ariana já não descobriu que aquele que ela pensava ser um digno cavaleiro era na verdade um bobo da corte? Interessado em fazer rir e viver a vida com todos, menos com ela.

Se eles se mostrarem indignos, não há problema. Ariana sabe que nesse momento ela constrói sua felicidade sem depender de cavaleiros, bobos da corte, ou qualquer outra pessoa. Ela constrói a felicidade dependendo dela mesma, assim será mais fácil tanto acompanhar alguém ou ficar sozinha.

16 June, 2010

Livre-Arbítrio ou Demônio de Laplace?

O Livre-arbítrio implica na livre escolha das ações de um indivíduo. Contudo, a existência ou não do livre-arbítrio tem sido uma questão central na história da filosofia e na história da ciência. O conceito de livre-arbítrio tem implicações religiosas, morais, psicológicas e científicas.

Também denomina-se o livre-arbítrio como "liberdade metafísica", isto é, o poder de escolher entre alternativas genuínas. Para entender melhor o que seriam essas alternativas genuínas, podemos analisar algumas correntes filosóficas.

De um lado, temos o determinismo, que defende que o estado das coisas é totalmente explicado por relações de causa e efeito. De outro, o indeterminismo, que defende que há eventos que não são totalmente causados.

O determinismo filosófico pode ser ilustrado pelo experimento hipotético conhecido como o "Demônio de Laplace" (lembrando que daemon significa espírito). Este "demônio" seria uma entidade que, ao conhecer, no mesmo instante, a velocidade e a posição de cada elemento, se tornaria capaz de deduzir toda evolução do Universo, no passado e no futuro.

Essa entidade representa o tipo de mentalidade do século XVIII, com o sucesso das leis de Isaac Newton e Antoine L. Lavoisier (1743-1794), tanto na física como na química. Essa entidade imaginária - sugerida pelo astrônomo e matemático Pierre Simon Laplace (1749-1827) - mostra como o determinismo estava presente nas ciências clássicas.

Spinoza também aventurou-se nesse tema, comparando a crença humana no livre-arbítrio a uma pedra pensando que escolhe o caminho que percorre enquanto cruza o ar até o local onde cai. Ele diz: "as decisões da mente são apenas desejos, os quais variam de acordo com várias disposições"; "não há na mente vontade livre ou absoluta, mas a mente é determinada a querer isto ou aquilo por uma causa que é determinada por sua vez por outra causa, e essa por outra e assim ao infinito"; "os homens se consideram livres porque estão cônscios das suas volições e desejos, mas são ignorantes das causas pelas quais são conduzidos a querer e desejar". Assim, o livre-arbítrio não seria feito com base em escolhas genuínas, pois haveria uma determinação das escolhas possíveis.

A ciência atual é um misto das teorias deterministas e estocásticas. Alguns cientistas deterministas, como Albert Einstein, acreditam na teoria da variável oculta, dizendo que no fundo das probabilidades quânticas há variáveis postas, ou seja, existem escolhas, mas estas escolhas são pré-determinadas.

O teorema de Bell serve de contraponto, sugerindo que talvez Deus esteja jogando dados, o que poria em dúvida as previsões do "Demônio de Laplace". Ou talvez Deus não jogue dados, mas apenas siga sua vontade, sendo a mesma não determinada por nada, nem mesmo por um objeto formal como o bem ou a verdade, tal como na teoria das verdades eternas de Descartes.

Na filosofia hindu
Swami Vivekananda resume: "a mente é parte integrante da natureza, a qual está vinculada à lei de causalidade. Porque a mente está vinculada a uma lei, ela não pode ser livre. A lei de causalidade como aplicada à mente é chamada karma."

Na filosofia budista
Thanissaro Bhikkhu ensina: "os ensinamentos de Buda sobre o karma são interessantes por causa da sua combinação de causalidade e livre-arbítrio. Se as coisas fossem totalmente causadas não haveria meio de se desenvolver uma habilidade -- suas ações seriam totalmente determinadas. Caso não houvesse causalidade alguma as habilidades seriam inúteis, pois as coisas estariam mudando constantemente sem qualquer tipo de rima ou razão entre elas. Mas é porque há um elemento de causalidade e porque há um elemento de livre-arbítrio que você pode desenvolver habilidades na vida. Você se pergunta: o que está envolvido no desenvolvimento de uma habilidade? -- basicamente isso significa ser sensível a três coisas: 1) é ser sensível a causas vindo do passado, 2) é ser sensível ao que você está fazendo no momento presente e 3) é ser sensível aos resultados do que você está fazendo no momento presente -- como essas três coisas vêm juntas.".

Na teologia, alguns dirão que a onisciência divina está em conflito com o livre-arbítrio. Afinal, se Deus sabe exatamente o que ocorrerá, incluindo cada escolha feita por cada pessoa, as escolhas livres são questionáveis.

Isso não é necessariamente verdade. A imprevisibilidade pode significar indeterminismo e não livre-arbítrio, dessa forma é possível que uma atitude seja livre, mesmo sendo previsível.

No pensamento cristão
Na teologia cristã Deus é descrito como onisciente e onipotente. Por causa disso muitas pessoas, cristãs e não-cristãs, acreditam não apenas que Deus sabe quais decisões o indivíduo tomará amanhã, mas também que Deus determina tais escolhas. Todavia, proponentes do livre-arbítrio alegam que o conhecimento de um acontecimento é totalmente diferente da causação do acontecimento.

No Espiritismo
Espíritas crêem que toda causa provoca um efeito e que todo efeito advém de uma causa. Neste contexto, Deus é a causa primária de todas as coisas. Acreditam que o livre-arbítrio ganha proporções maiores à medida que o grau de evolução (moral e intelectual) do espírito se desenvolve. O livre-arbítrio pode ser limitado em determinadas situações, quando isso proporcionar evolução na condição moral e intelectual do espírito, como exemplo, no caso das reencarnações compulsórias, onde o espírito "ocioso" é compelido a reencarnar mesmo contra sua vontade, subjulgando-se seu livre-arbítrio.

15 June, 2010

O Cavaleiro de Ouros

Ariana encheu um vasilhame com água, jogou algumas pétalas dentro e quis vislumbrar que tipo de Cavaleiro era aquele que ela já conhecia, mas que, porém, ela ainda não havia olhado para ele como um Cavaleiro.

Ele vinha segurando o pentáculo... Era o Cavaleiro de Ouros, responsável, humilde e honesto.

Nessa imagem o novo Cavaleiro não andava em direção à Ariana, nem se afastava. Ele estava ali, como se esperasse algo acontecer. Segurava um ramo de trigo na outra mão. Uma figura que demonstrou segurança e sensualidade sob o olhar de Ariana.

A água continuou refletindo aquele mesmo rosto, mas cavalo e elementos começaram a mudar de forma, primeiro apareceu copas representado pela água, o Cavaleiro ficou um bom tempo segurando o cálice e parecia vir na direção de Ariana; mas em seguida a taça transformou-se em um bastão, paus, simbolizando o fogo, a paixão, mas nesse momento o Cavaleiro recuou, afastando-se de Ariana; a espada, então, apareceu no lugar do bastão para representar o ar, o Cavaleiro avançou um pouco, recuou um pouco, como se estivesse se balançando ao vento... Depois voltou ao elemento original, do Cavaleiro segurando o pentáculo...

Ariana não havia entendido o que eram aqueles cavaleiros todos com o mesmo rosto. Precisava pedir ajuda a alguém.

14 June, 2010

Olhares sobre o mundo

Ariana fechou os olhos para poder ver melhor. Sim, com os olhos fechados.

Ela respirou fundo, viu a cor azul se aproximando e deixou o corpo relaxar ao som da música que vinha de dentro dela. Perfume de alguma flor que ela não lembrava o nome e um rosto familiar no horizonte de dentro dos seus olhos.

Ariana viu a sombra, viu a cor, viu os traços tomando forma. Ela gostou do que viu, conhecia o que aparecia para ela, mas não entendeu.

"O que está acontecendo? Mas... eu pensei que o Cavaleiro de Copas..." - ela pensou, confusa.

Uma voz dentro dela falou:

- O Cavaleiro de Copas tem um destino a cumprir. Você precisa seguir outro caminho, um caminho que te fará feliz, um caminho que fará a outra pessoa feliz também. O Cavaleiro de Copas te ajudou a ver o que você precisava. Você ajudou o Cavaleiro a encontrar a estrada certa. Já está feito. O futuro não está ainda definido, mas, neste momento, é hora de deixar partir, não há outra forma de ser neste momento.

- Nós ainda íamos nos ver mais uma vez...

- Se assim for, aproveite e despeça-se. Não há mais nada para vocês dois nesse caminho agora.

Ariana continuou deitada e relaxada, sentindo o perfume que a rodeava, a música que preenchia sua mente, pensou na forma que tinha visto vindo em sua direção, pensou que aquilo não fazia sentido, não podia fazer sentido... Como poderia fazer sentido?

Ariana respirou fundo mais uma vez e adormeceu...

13 June, 2010

Confusão

Confusão de sentidos dentro do meu peito...

Sensação de bem estar se mistura com solidão. Liberdade se mistura com expectativa. O sorriso é entremeado de lágrimas, de alegria, de memórias, de vontade de ficar bem, estar bem, ver meus filhos bem.

Insegurança por saber pouco. Felicidade de sentir tudo.

Saber pouco, mas sentir que hoje é um dia melhor do que ontem e que amanhã será ainda melhor.

Sentir vontade de viver e de experimentar a pessoa que se escondia dentro de mim.

Vontade de dividir isso com alguém.

06 June, 2010

O Cavaleiro de Copas

Após as andanças de Ariana, as conversas com o Druida, as molecagens com seu amigo aprendiz e muita solidão no frio da noite, ela encontrou um Cavaleiro que chegava de uma Vila próxima.

Ele apareceu num cavalo bonito e elegante, desmontou, aproximou-se e olhou Ariana no fundo dos olhos, tomou as mãos dela nas suas e beijou-as, como os Cavaleiros honrados fazem quando encontram uma dama digna da sua atenção.

Ariana gostou do perfume do Cavaleiro, gostou do toque suave na pele, gostou do olhar.

O Cavaleiro ficou na cidade alguns dias e nesses dias ele cedeu uma boa dose de atenção à Ariana - que encantou-se com o respeito, boa eduação e gentileza daquele homem, sim, um Homem de verdade aparecia finalmente diante de Ariana, depois de muito tempo sem que ela vislumbrasse a sombra de alguém assim.

Muito embora o Cavaleiro tenha partido para cumprir seus desígnios reais, Ariana não se sentiu só, ela sentiu o coração aquecido e a vontade de voltar a sonhar tomou conta da sua alma.

Para quem gosta de começar uma história com medo do final, Ariana avisa que é melhor nem começar, porque o final todos nós já sabemos qual é, cabe a cada um de nós trilharmos uma bela estrada ao longo do caminho, sem arrependimentos, sem jaulas, sem cobrar dos outros o que não nos podem dar, buscando a felicidade em nós mesmos, a cada momento dos nossos dias e, se possível, sempre, sempre, sempre, compartilhar essa alegria com quem estiver à nossa volta.

01 June, 2010

Tem certeza que você existe?

Tem certeza que você existe?

Ouvi essa pergunta algumas vezes em minha vida e fico profundamente magoada a cada vez que a ouço...

Por que as pessoas me perguntam isso? Bom... Talvez porque elas estejam acostumadas com a malícia, com a mesquinhez, com a maldade dos corações dos outros e do próprio coração e não consigam acreditar que alguém no mundo realmente NÃO É assim também.

Ingenuidade, diria minha mãe... "Minha filha, você é muito boba! Deixa os outros fazerem o que querem!" - sim, mamãe, querida, cada um faça o que bem entender, eu também farei minhas coisas do meu modo, respeito os outros para que me respeitem. O limite só existe se houver afronta aos meus princípios, enquanto isso, que me importa se as palavras são ditas com vírgulas ou sem?

Sou de uma simplicidade absurda, pois sou aquilo que posso ser e aquilo que eu falo é aquilo que eu sou.

"Você fala demais". Falo mesmo, falo muito, porque gosto de estar perto das pessoas e quero que elas me conheçam. Como vão me conhecer se eu não mostrar quem EU SOU...?

Sou assim, gosto de curtir meus filhos, gosto de dormir, gosto de me espreguiçar de manhã, gosto de comer coisas gostosas, banho morno, chocolate quente, adoro ler um bom livro e adoraria ter alguém legal do meu lado para ver um filme, ouvir música, jogar conversa fora, filosofar, namorar, montar um quebra-cabeças, um jogo de cartas, dados ou de tabuleiro, um cafuné, um carinho e também para deixar a pessoa seguir seu caminho... E eu ficaria feliz com a felicidade da pessoa, afinal, ninguém nasceu grudado.

É só isso? Sim, é só isso. O resto é o meu trabalho e meu estudo, que são partes daquilo que sou... Partes que não se separam de mim, partes que eu cuido como eu cuido de mim mesma (aliás, acho que eu cuido mais do meu trabalho e do meu estudo do que de mim mesma, mas isso já está mudando).

Gosto de me olhar no espelho e passar um batom, dar um colorido ao meu rosto. Gosto de passear na rua e ver gente bonita, gosto das coisas belas e vejo beleza onde poucos ou quase ninguém mais vê. Mudei meu percurso matinal para passar por uma rua coberta de árvores e plantas, o que me faz sorrir de manhã, logo cedo.

Adoro fazer compras, mas prefiro dar presentes para os outros, dificilmente compro alguma coisa para mim, a menos que eu esteja realmente precisando, claro. Mas fico tão feliz em poder presentear, principalmente aqueles que fazem parte da minha vida, meus filhos, meus amigos (a família que a gente escolhe), minha família (aquela que nasce com a gente) e se eu tivesse condições ajudaria a todas as pessoas do mundo, mas não consigo, não ainda...

Conseguirei um dia, tenho fé que isso está próximo de acontecer e peço a Deus que me ilumine e me dê todos os dias as condições necessárias e a sabedoria de usar essas condições para ficar sempre forte, feliz, saudável, que eu sempre tenha o suficiente para o meu sustento na forma como fui criada, para que eu possa oferecer as mesmas condições de sustento, saúde e educação aos meus filhos, às minhas famílias e para que eu possa um dia oferecer o mesmo aos outros que ainda não conheço... Creio que já estou nessa estrada e, desde já, fico muito agradecida por tudo o que eu tenho e pelo que deixo de ter...

29 May, 2010

Abra os olhos

Às vezes nossos olhos se fecham à verdade mais dura para nos proteger de coisas ruins, mas acaba nos fechando para coisas boas também. Fechar nossos olhos à verdade é esquecer que fazemos parte de um mundo e que ele nos fornece um rico aprendizado dia-a-dia.

Fechar nossos olhos para não sermos machucados, significa fechar nossos olhos a quem nos ama, a quem nos quer bem. Fechar nosso coração para evitar a mágoa é fechar nosso coração ao amor também.

Abrir os olhos e ver o mundo tal qual ele é, abraçar a vida com um sorriso ao invés da desconfiança, encarar a face má ou a face boa de quem nos cerca, tudo faz parte do mesmo aprendizado, tudo faz parte da mesma essência.

Eu posso ficar inerte, não causar mal nenhum a qualquer pessoa. Mas ficando inerte também estarei me negando a fazer o bem, a ser quem sou, uma pessoa que AMA, com o coração em brasa e os braços abertos.

Quem sou eu, afinal? O que eu quero? Quero evoluir, aprender e ser capaz de ajudar a quem estiver ao meu redor, quero amar as pessoas sem ninguém me apontando o dedo no nariz dizendo: melhor você se fechar, melhor você ficar quietinha para não se machucar.

Se eu fico quieta e fechada, está certo, eu não me machuco, nem sofro (aparentemente), mas também não vivo e não aprendo o que tenho a aprender... Pronta para encarar o mundo? Acho que sim - pra mim isso basta. Se vou me machucar ou não? Bom... isso já é uma outra história...

24 May, 2010

Afrodite

Compartilhando alguns textos que não são meus, mas que são lindos:

"Antes que eu houve dito adeus, ele havia notado:

- Não, não vá meu amor! Casa-te comigo, te amo de Verás.

Afrodite rebelada, mais decidida, disse:

- Tu não me amas, apenas deseja que eu seja tua por ser a mais bela,você deseja me mostrar as seus amigos e desfilar comigo deseja que todos vejam o seu troféu de glória masculina, mas há algo que você esqueceu, a única glória que deves atribuir é a glória a mim mesma a glória à beleza do meu corpo, da minha alma, assim como minha dignidade. Não sou um troféu: sou a Glória manifestada!!!

- Mulher da vida!!! - disse ele

Ela riu se e disse:

- Mulher da vida? Isso todas nós mulheres somos pois estamos vivas!!! Estamos vivas!!!

(Escrito por Gaia Lil) http://sagrado-feminino.blogspot.com/2009/05/afrodite-solta.html#links


Palavra de Afrodite:

Eu sou Senhora do sangue sagrado. A meretriz dos sucos vaginais. Sou aquela que encarna o pecado e habita as grutas infernais. Fui eu que te dei o desejo que desenhei no teu corpo todos os riscos do sexo. Fui eu que te embalei nos braços e disse a todas que eras mulher. Sou eu que ainda te guio nos descaminhos que inventaste. Sou eu que sustento as violações de um corpo que mutilaste. Tu, que és parte de mim mesma, esqueceste o lugar que te gerou. Tomaste um rumo avesso e contrário e renegaste quem te criou. Mas tu és lua, mulher e loba, e serás assim até o instante final. Não serás ferida, porque és cura. Não serás dor, porque és prazer. Não serás culpa, porque és vida. Não serás certeza, porque és abismo!"

(Fragmento de texto retirado do livro: A panela de Afrodite - Márcia Frazão)

23 May, 2010

Fênix

Guardei todos os textos anteriores, não joguei nada fora, apenas deixarei tudo guardado, já não sei o que cabe e o que não cabe escrever. Tenho vontade de escrever tudo, mas nada parece suficiente, nenhuma palavra parece capaz de expressar o que eu sinto.

Fênix me vem à mente... Sempre. Meu mundo está caindo e tenho certeza de que precisa ser assim para que eu possa renascer. Em meio às cinzas eu não enxergo o renascimento, não ainda. Estou a caminho da morte, difícil pensar em renascer quando se está definhando.

Mas o que me mantém forte durante esse final de ciclo é a esperança do renascimento, a esperança de que tudo recomeçará. Sei que ficarei bem, é sempre assim.

Ouvi uma frase interessante no último sábado: "Às vezes as pessoas olham só a embalagem". Quem nunca conversou comigo entenderá essa frase de um jeito tão estranho. Eu ainda não entendi, afinal, passei (e ainda passo) minha vida lutando contra uma aparência que me aprisiona.

Já me chamaram de macaco, já me disseram que eu tinha boca de sapo, tive um professor que olhou para mim e disse "nunca vi alguém tão feio", meu irmão me chamava de gorda, fui gorda em grande parte da minha vida, enfim, não tinha de onde eu entender que alguma coisa minha seria bela, então voltei-me para dentro.

Quando nosso exterior causa espanto, a gente se volta para dentro e tenta decobrir outras coisas, descobrir quem somos independentemente no nosso embrulho, sim, a camada externa nada mais é do que um embrulho.

Quando eu ouvi a frase neste sábado, dizendo para mim que às vezes as pessoas olham só a embalagem, eu, num primeiro momento, pensei, puxa... será que finalmente alguém está olhando meu interior e deixando minha feia casca para trás? Não, querida, nunca se esqueça que na fase de deixar morrer ninguém trará coisas boas. A pessoa queria dizer que eu era bonita e que pessoas mais feias que eu são mais belas por dentro.

Minha aparência é um fardo, seja ela uma coisa grotesca como foi até minha adolecência, seja ela mais aceitável socialmente como é hoje, sempre carrego essa cruz, por que? Tenho culpa de ter sido feia por fora quando ninguém me via? Tenho culpa de hoje não ser tão feia por fora e haver pessoas no mundo mais feias que eu? Isso importa pra alguém? Por que alguém se preocuparia?

Por que ninguém é capaz de ultrapassar essa barreira da minha aparência e finalmente me ver como sou? Ver que estou fragilizada? Ver que também choro, que também passo pelas minhas provações? Que sofro e que busco o conhecimento que todos eles têm... São todos tão sábios e eu sou tão pequena... Mas todos recusam-se a ajudar porque minha aparência diz a eles que eu não preciso de ajuda, pelo contrário, ainda jogam suas frustações em minhas costas, como se eu fosse capaz de suportar mais alguma coisa.

Entendam que estou morrendo e - caso não queiram me ajudar - ao menos não me atrapalhem... Deixem que eu morra e que eu renasça das minhas cinzas em paz! Deixe que eu trilharei meu próprio caminho.

Para os que ousarem caminhar ao meu lado, sejam bem-vindos, meu caminho é de amor e de felicidade. Para os que não quiserem... apenas me deixem ir, é só o que peço. Se não quiserem estar ao me lado, me deixem ir...

15 May, 2010

Confissão

A confissão é nosso reconhecimento pelos nossos erros. Quem nunca errou? Somos todos humanos. Existe honra em reconhecer os erros e buscar um caminho melhor? Creio que sim. Posso estar errada, pois ainda sou uma pequena estudante tentando aprender.

Hoje amo a Deus sobre todas as coisas, aos poucos consigo aprender a amar a mim mesma e ao próximo, que tem sido um aprendizado bastante feliz para meu coração.

Não me lembro de ter tomado nome de Deus em vão e se o fiz, foi de forma inconciente - por isso peço perdão.

Já levantei falso testemunho, já menti, já desejei mal, já usei palavras duras para falar de meus semelhantes. Nos últimos tempos em que ainda tinha raiva e ira em meu coração eu simplesmente não percebia a força que as minhas palavras tinham, por isso eu peço perdão.

Não roubo.

Já pequei contra a castidade em pensamento e em carne, não sou muito boa no que diz respeito a ser casta, por isso peço perdão e peço ajuda para voltar meus pensamentos às coisas que realmente importam.

Nunca matei um ser humano. Já matei mosquitos, aranhas, formigas e baratas. Por isso eu peço perdão.

Já me alimentei da carne de outros seres vivos, por isso eu peço perdão.

Honro meu pai e minha mãe, mas peço também que respeitem os limites da minha individualidade, se faço isso de forma errada, peço humildemente que me seja mostrada a forma certa e que eles me perdoem pelos meus erros.

Nem sempre santifiquei domingos e festas de guarda, por isso eu peço perdão.

Sinto-me pequena, aprendiz, humilde - as pessoas me vêem como arrogante, prepotente e soberba. Por isso peço perdão. Peço ajuda para deixar que todos vejam que sou menor que eles, pois eles sabem tanto e eu sei tão pouco. São todos tão bons e eu sou tão errada, cometo tantos erros, por isso peço perdão e peço ajuda para poder ver o caminho correto de me mostrar verdadeiramente como sou diante dos outros, pois sou apenas uma pessoa querendo aprender.

Peço permissão para continuar aprendendo e, se um dia o caminho que escolhi para o meu aprendizado estiver fazndo mal aos outros, que por favor eu seja desviada para outro caminho a trilhar, para que não haja sofrimento a ser causado a partir de mim, pois não quero, do fundo do meu coração, não quero causar mal nenhum aos meus irmão, meus pais, meus amigos, a ninguém. Se isso for ocorrer, que venha para mim o sofrimento e não para aqueles que eu amo tanto.

11 May, 2010

Ariana Entende

Ariana deixou um pouco de lado a preocupação com seu amigo Druida, sem que isso significasse esquecer do seu querido amigo - mas estava solta em seus pensamentos uma bela tarde, quando começou a pensar em como seria deitar-se com um homem da vila, um amigo dela. Ficou com aquele pensamento alguns dias até decidir colocar em prática a sua fantasia. Procurou-o para uma conversa. Nada impediria uma boa conversa.

Depois de algum tempo de conversa, Ariana chegou-se mais perto, aproximou-se do corpo do amigo e quis se entregar. Achou que fosse encontrar tanta mágica naquele encontro, mas algo a retraiu. Algo não correu como deveria ter corrido. Não que não tenha sido bom para o gosto de Ariana, mas também estava longe de ser algo próximo do que ela havia imaginado. Ela sabia dentro dela que as coisas não haviam acontecido como tinham de acontecer.

Durante algum tempo Ariana ficou intrigada com aquela situação tão diferente do que ela estava acostumada e começou a se convencer de que precisaria de uma nova oportunidade para ver se as coisas aconteceriam da forma certa.

Para surpresa dela, o amigo foi contrário a essa idéia dizendo que havia um motivo maior para que isso não acontecesse.

Ariana é sábia e entendeu com muita serenidade e respeito a postura do seu amigo, afinal, as pessoas têm suas razões. Mas, como mulher, Ariana sentiu-se triste, pois realmente havia ficado com aquela vontade secreta de sentir o amigo em todo seu potencial.

A tristeza passou, como sempre passa; e o assunto foi deixado em repouso, não havia mais nada para ser falado sobre isso. Os dois continuaram conversando e tratando de outros assuntos que tinham para tratar.

Até que numa noite, Ariana teve um de seus sonhos.

Uma voz forte falava com ela:

“Menina, reúne o que conheces: teus livros, teus cadernos, pensamentos, misture tudo com a tua caneta e não deixe que nada te perturbe. Escreva o que tiveres vontade, eu estarei ao teu lado.

Tuas palavras chegarão aos que querem conhecer e eles virão a ti como sempre vieram, já sabes como isso funciona. Depois – da mesma forma que vieram – eles se vão. Ficarão ao teu lado apenas os que como tu buscam a verdade e o amor puro.

Os maus não chegarão perto de ti porque não ofereces o que eles buscam. Continua essa tua busca pelo bem, continua tua evolução, serve de exemplo aos teus filhos e a teus irmãos, assim tu serás feliz.

Teu amigo não se deitou com você, mas você não tem porque ficar triste. Te explicarei porque isso aconteceu naquele momento, preste atenção...”

E Ariana sentiu o rosto iluminar-se com a paz daquelas palavras que finalmente esclareceram a razão de seu amigo ter se afastado naquele momento.

10 May, 2010

Diversão pouca é bobagem

Novas evidências sobre o clitóris e pesquisas de comportamento animal provaram que a mulher nasceu, sim, para ter prazer no sexo e que sua propagada vocação para a monogamia não passa de imposição cultural, sem nada a ver com sua programação natural.

“A concepção de que só os homens são poligâmicos é o maior mito da sexualidade”, afirmou a antropóloga Helen Fisher, da Universidade Rutgers, de Nova Jérsei, Estados Unidos. Em seu livro Anatomia do Amor, Helen concluiu que o adultério é tão comum entre nós quanto o casamento. É claro que muitas mulheres (e homens também) optam por ser fiéis. Mas isso é uma escolha, não uma imposição biológica. Em seu mais recente livro, Helen avança em suas conclusões, mostrando a face cultural de muitos axiomas tidos como naturais e sugerindo que a superação dos mitos vai guindar as mulheres, neste século, à condição de exercer papéis, inclusive sexuais, equivalentes aos dos homens – ou até de maior destaque.

Os mecanismos do orgasmo feminino são tão complicados que os médicos ainda estão longe de entendê-los. Exemplo: ninguém conseguiu arrumar uma boa explicação para o fato de haver orgasmos clitorianos e vaginais. A variedade orgástica feminina não pára aí. Há também os orgasmos múltiplos – algo que homem nenhum, por mais sensível, vai conseguir compreender. Na verdade, existem dois tipos de orgasmos múltiplos. Um é o multiorgasmo, no qual a mulher consegue emendar rapidamente cada clímax em uma nova fase de excitação e, assim, ter três ou quatro orgasmos seguidos. Mas, sorte mesmo, têm as poliorgásticas. Essas felizardas têm um êxtase depois do outro, sem precisar de novas fases de excitação, porque se mantêm num platô de tensão sexual por muito tempo. Todas as mulheres têm a possibilidade de ter um multiorgasmo, mas poucas provam um poliorgasmo, que depende de características inatas.

Tecnicamente, o orgasmo feminino é um reflexo do corpo, que se manifesta por contrações vaginais. Ele é resultado de uma combinação complexa de estímulos. “Podem ser visuais, imaginários, clitorianos, táteis...”, diz Sônia Penteado, ginecologista da Universidade de São Paulo.

A mente feminina tanto pode bloquear o prazer quanto produzi-lo. “Há casos de mulheres que chegam ao orgasmo só com o pensamento”, diz Sônia. As moças dão uma surra nos homens no quesito fantasia sexual. Elas tendem a ser bem melhores na hora de manifestar seu desejo... O homem só está preocupado em se manter firme”.

Essa sutileza psicológica feminina impede soluções fisiológicas simples àquelas que sofrem de distúrbios sexuais. “Por isso não há grande vantagem em criar um Viagra para mulher”, diz Sônia. É que o medicamento atua na irrigação sangüínea e não no desejo. Não que o sangue não seja importante para elas: um homem, para ter uma ereção, precisa de 100 ml de sangue. Já a mulher usa quase 1 litro para a lubrificação vaginal e o intumescimento do clitóris e dos grandes e pequenos lábios. Mesmo assim, na menopausa, quando a eficiência da circulação pélvica cai bastante, muitas mulheres não perdem a capacidade de sentir prazer, o que indica o quanto a mente é importante na libido feminina.

Cada vez mais os cientistas entendem como o desejo se manifesta nas mulheres, o que é ótimo. Para elas, porque ter consciência das potencialidades do próprio corpo é um grande passo para sentir mais prazer e ser mais feliz. Para os homens, bem, para os homens porque a possibilidade de o horizonte deste século estar repleto de mulheres bem-resolvidas, desejosas e felizes é uma grande notícia.

Fonte: Superinteressante edição n.º 157 – outubro/2000.

08 May, 2010

Querido Druida

Ariana acordou com os olhos cheios d'água e ouviu um canto triste de um pássaro ao longe. Sentiu os braços e a coluna arrepiarem-se enquanto veio o pensamento "Lugh".

Sem pensar duas vezes, correu pela floresta com suas vestes caseiras, nada importava, ela correu. Chegou à cabana do Druida e bateu desesperadamente à porta.

- Lugh, abra a porta, Lugh, preciso falar com você.

Após alguns instantes a porta se abriu, o druida enrolado em uma manta apresentou-se com o rosto muito pálido, com os lábios rachados.

- Lugh, meu amigo... O que aconteceu com você?

- Entre Ariana, entre...

Sentaram-se junto ao fogo da sala, Lugh serviu uma xícara de chá para sua amiga.

- Ariana, escute, acho que meus dias nessa vida estão chegando ao fim, quero que você entenda o que te digo.

- Mas, Lugh, você é um druida, me diga o que devo preparar para te fazer ficar melhor...

- Ariana, algumas coisas acontecem quando devem acontecer e não tenho a cura para alguns males desse mundo.

- Lugh, meu amigo, como eu te amo! Não quero ficar sozinha, ninguém mais sabe como é ficar ao meu lado, são todos tão iguais e você é tão diferente...

Ariana acariciava a barba bem desenhada de seu amigo, aquela barba que sempre aparecia nos sonhos que ela tinha com ele, o desenho do seu amigo.

- Não quero ficar sozinha nessa vida sem você...

- Você não estará sozinha, você ainda terá esse seu amigo dentro de teu coração. Quero que você entenda que o teu percurso poderá parecer impossível às vezes, poderá parecer tão difícil, mas você sempre saberá por onde deve ir, Ariana, você já sabe onde estão as respostas que você procura. Em seu coração.

- Mas... Você já se vai?

- Não, Ariana, calma, minha amiga, ainda poderemos conversar, mas já não terei tanto tempo quanto imaginávamos que teríamos.

Ariana calou seu amigo com um beijo e acolheu a cabeça dele em seu ombro. Ficaram juntos olhando o fogo que queimava até adormecerem...

05 May, 2010

O Diálogo

Hoje Ariana foi visitada pelo seu amigo Druida, Lugh, em meio aos seus afazeres.

- Lugh, querido amigo! Que fazer por esses lados?

- Estás muito ocupada, Ariana? Precisava conversar um pouco com alguém.

- O que tenho a fazer pode esperar até daqui a pouco, diga-me: o que você precisa falar?

- Eu preciso ouvir, Ariana, é para isso que eu vim. Preciso ouvir o que você tem a me dizer.

- Ora, Druida, como vou saber o que dizer se é você quem aparece aqui na minha porta?

- Vim conversar com minha amiga.

- Pois então, você precisa parar com essa sua mania de fazer segredo e tornar tudo que te cerca um grande mistério. Quando você quiser que alguém te diga algo, você deve perguntar claramente à pessoa o que você deseja saber. Você não pode aparecer aqui querendo que eu adivinhe o que você quer... Lugh, te amo muito amigo, mas isso não é certo.

- Obrigada Ariana, você me falou exatamente o que eu precisava saber.

04 May, 2010

Amor

Existe um erro grotesco naqueles que acham que o amor incondicional (de uma mãe, por exemplo) coloca de lado o amor que ela tem por sim mesma. Não é assim, porque ela aprende muito mais quando se torna mãe. Ela aprende que amar aos filhos, não substitui o amor que ela tem de si mesma, nem substitui o amor que ela possa sentir por qualquer outra pessoa. Ela se ama, sim. Justamente por amar-se, ela é capaz de reconhecer o conceito do amor, ela primeiro tem que reconhece-lo dentro dela, senão o amor verdadeiro não existirá, existirá exigência social de cuidar das crianças, moralmente exigidas a dedicar-se a um homem e assim por diante.

Mas a mãe perde a cabeça com os filhos, por vezes, sem dúvida. Que mãe nunca colocou um filho de castigo? Algumas optam, por vezes, pela palmada no bum-bum, outras pelo “tempinho pra pensar” ou a mais dolorosa forma de uma mãe amar: deixar seus filhos sofrerem as conseqüências daquilo que fizeram.

A função da mãe, como agente do amor, é orienta-los, pois esses pequenos seres dependem dela para saber qual estrada tomar. Ela avisa, orienta, serve de exemplo. Se a criança desobediente se machuca, quase sempre ouvirá um “bem-feito! Não falei pra você não fazer isso?” – e a mãe aos poucos vê que não tem jeito, os filhos irão aprender como ela aprendeu: tomando alguns tombos e evitando outros... é simples assim.

O amor – seja o amor de mãe, seja o amor amante, seja o amor amigo, ou qualquer outra forma de amor que pudermos pensar – estará sempre norteada pelos mesmos princípios. Meu amor é seu, quero seu bem e o que eu fizer será para o seu benefício. Se você fizer errado e se machucar, o amor não passará a mão na sua cabeça nem beijará as tuas feridas. O amor te fará ver que isso que você sofre hoje é resultado das suas próprias ações. A mãe, sabe, no fundo, que o filho vai aprender muito com aquele machucado.

O exemplo que a mãe dá a seus filhos pelo amor que sente por eles é o mesmo princípio que podemos usar no amor às outras pessoas. Quem não se respeita e não se ama, como pode amar e respeitar alguém?

A pessoa que ama reconhece os erros, os defeitos, a complexitude do ser que é amado, não fosse assim, estaríamos falando de paixões cegas, o que é algo totalmente diferente.

O amor reconhece as falhas, reconhece os perigos e coloca os limites. É muito mais gostoso para uma mãe aconchegar seu filho que chora na sua própria cama, e vê-lo dormir tranqüilo. Mas isso não é amor, isso é fraqueza. Amor verdadeiro é ensina-lo a dormir na própria cama, ainda que nas primeiras noites ele chore sem parar. Amar é ensina-lo que se ele não estudar para a prova ele terá que fazer aquela série novamente.

Amo meu marido, sim, amo. Ele ultrapassou um limite muito sério, sobre o qual ele foi avisado e cujas conseqüências ele conhecia. O amor que tenho por ele é a única forma que tenho para mostra-lo que a estrada dele, a partir daquele momento, passou a ser só dele, eu só aceitei ajuda-lo até aquele limite. Se eu não deixar que ele vá, não estarei amando. Estarei prendendo uma pessoa para satisfazer alguma outra coisa que não o amor. Os preceitos do amor mostram que a pessoa conhecia as conseqüências e optou por ultrapassar os limites. Por esse mesmo amor, entendo que o melhor que posso fazer por ele é não fazer mais nada, para que ele aprenda sozinho daqui pra frente.

Não deixo de amá-lo, pois isso me tornaria tão fria e vazia como ele acabou se tornando. Se eu respondesse com os mesmos termos às agressões que ele usou comigo, eu estaria deixando de amar para tornar-me agressiva como ele. Não quero ser como ele, é tão triste... Apenas tenho que deixa-lo ir, para que ele encontre o que for melhor para a vida dele, a nova estrada, que ele não mais seguirá ao meu lado.

É assim que funciona o amor. Ele só machuca se nós nos deixarmos machucar ou se não soubermos onde são os limites entre o amor e a total permissividade.

Amor não é ignorar as falhas nossas e dos outros – é reconhece-las e aprender com elas, para não fazer novamente.

Amor não é fazer de conta que não vemos os defeitos de quem se ama – é respeitar e aprender com eles para nos tornarmos pessoas melhores, lembrando que todos temos defeitos.

Amor não é estar o tempo todo à disposição de quem se ama, isso seria escravidão – mas estar presente de corpo e alma quando escolher estar na companhia de alguém.

Amor é simplesmente, desejar para o outro o que de melhor conhecemos e oferecer o melhor de nós mesmos aos nossos irmãos, cabe ao outro aceitar ou não o nosso amor.

Vamos nos tornar como eles? Ou vamos manter nossa essência de amá-los, mesmo que eles não entendam porque ainda assim os queremos bem?

Espero que todos consigam entender como é importante não ceder à raiva, à sede de vingança, à ira quando negam nosso amor, ou quando nos agridem. Mais importante que isso é olhar nos olhos de quem nos ataca e dizer: eu te amo, do jeito que você é e justamente por você ser assim, eu aprendo com teus erros e com teus acertos, agradeço por não ter em meu coração a raiva que te consome, quero do fundo do coração que essa sua raiva um dia te mostre um caminho melhor, ainda que para chegar lá, você precise passar pelo sofrimento. Sofro com você, porque sei como é triste a dor. Mas fico feliz de ver a sua evolução te dando uma nova chance de acertar, acerte dessa vez... Se um dia precisar de alguém para te acolher, se isso vier de dentro do teu coração, pode me procurar. Eu te oferecerei um abraço e um sorriso, vou te acolher se eu puder ajuda-lo, porque é isso que eu sei fazer. Se me faltarem condições, sei que você entenderá.

02 May, 2010

O Beijo de Ariana

Numa certa noite, passeando pela floresta, Ariana encontrou duas fadas. A primeira lhe falou:

- Ariana, você não pode se endurecer como a rocha, você é muito bonita e boa, merece ser feliz. Já está na hora de dividir esse seu amor com alguém. Existe um homem que está vindo para você.

- Querida fada, eu quero, sim, ser feliz, tenho feito o meu melhor para ser feliz, e para ver minha família feliz, mas não sei se minha felicidade será ao lado de alguém... Apenas quero ser feliz, linda fada, com ou sem a companhia de um homem ao meu lado - em sua cabeça Ariana pensava "não cometerei o mesmo erro, de prender-me a um homem que não suportará compartilhar da minha felicidade. Que homem suportaria viver ao meu lado, do modo como quero viver? Que homem suportaria tamanha verdade exposta diante dele? Que homem suportaria o tamanho do amor que eu tenho a oferecer, se todos eles procuram mulheres a quem eles possam manter atadas em casa enquanto eles se divertem com outras? Que homem será capaz de compartilhar comigo essas aventuras, buscando junto comigo a liberdade do corpo ainda que atados pelo laço da fidelidade divina em nossas almas?"

A segunda fada lhe disse:

- Sabe, Ariana, virá um homem ao seu encontro. Um homem muito bonito. Ele virá para você porque você merece. Já está na hora de você ser feliz com alguém e esse homem está quase pronto para ser enviado ao seu encontro. Ele já vem preparado, você não vai precisar se preocupar, ele poderá te acompanhar.

- Querida fada, obrigada por achar que sou merecedora da companhia de homem tão formoso, abrirei meu coração quando ele se mostrar como tal, saberei que ele está pronto quando ele assim se apresentar, mas não faça minha felicidade depender disso. Ainda não sei como pode haver homem que seja capaz de acompanhar-me na vida que eu escolhi para viver.

- Fique tranquila, querida Ariana, nós conhecemos o que está no seu coração e o homem que virá para você poderá te acompanhar na sua jornada, não se preocupe.

Foi naquela noite que Ariana sonhou com o beijo. Ela viu o homem que a beijava e que a fazia sentir-se amada. Ela conhece aquele homem. Será que era ele o homem que vinha sendo preparado pelas fadas para acomapanhá-la nessa jornada de liberdade e verdade? Ou será que a cabeça dela pregava uma peça, juntando uma imagem já conhecida ao beijo que ela tanto aguardava?

Ela sonhou com o beijo perfeito, com o beijo que ela pensava que nunca mais seria capaz de oferecer a alguém. No sonho o beijo veio de forma tão intensa e viva, que Ariana acordou sentindo-se amada, aquecida, protegida, envolvida. Beijo de alma.

Começou a arrumar a lenha da lareira, naquela noite teriam uma festa na vila e ela precisava se preparar para poder sair tranquila, fazia tempo que ela não acordava assim, tão disposta ao trabalho em casa.

Lembrou-se das fadas, lembrou-se das mensagens... Lembrou do sonho... Aquele sonho manteve o sorriso na face de Ariana o dia inteiro, banhou-se, olhou-se no espelho sentindo-se mais bela, arrumou-se para a festa da vila e foi cantarolando ao encontro das outras pessoas.

Lá chegando, encontrou um jovem aprendiz. Ele sempre a olhava com desejo, mas já fazia muito tempo que não se viam.

- Olá jovem aprendiz. Como tem passado?

- Bem. Há muito tempo não a via, a senhora está muito bela.

- Obrigada, caro amigo. Sinto-me tão feliz hoje.

- Posso ver em seus olhos a felicidade e tenho saudades daquela vez em que a senhora me ofereceu um pouco mais do que o seu olhar.

- Caro amigo, oferecer-te um pouco mais do que o meu olhar é algo que eu faria com muito gosto.
- Nobre senhora, não me olhe dessa forma, pois terei problemas em esconder a minha excitação diante de todos. A senhora aceitaria me acompanhar para um passeio até a tenda da cerimônia? Não há ninguém lá ainda...

- Vá na frente. Verei o que faço.

Ariana sentiu aquela boa e velha sensação de calor subindo pela sua coluna, sorriu como há muito não sorria. Naquela noite Ariana dormiu com o gosto de um beijo de verdade em seus lábios. Dormiu bem como há muito tempo não dormia. O aprendiz não era o homem que as fadas estavam preparando para ela, mas ela precisava sentir-se viva de novo para poder esperar o homem das fadas com o coração aberto.

01 May, 2010

Ariana voltando a sonhar

Ariana voltou a sonhar. Ela sonhou com o beijo que há muitos anos ela não conseguia oferecer a ninguém. Nesses anos todos ela ficou fechada em suas paredes, pensando na longa estrada da reconstrução.

Primeiro ela se fechou pela raiva, um período muito triste e auto-destrutivo, machucando a si mesma com o sentimento ruim que a raiva traz junto com a vontade de vingança, a ira, o lado negro da força, ela afastou-se de sua própria essência e ficou desapontada por ter sido tão fraca e ter se tornado um monstro.

Depois fechou-se pela decepção, a tristeza de ver todo o seu mundo destruído, a desesperança, a vontade de não mais existir. Ela evitava lugares que - apesar de inofensivos - podiam dar a ela a chance de por um fim à própria vida. Ela tinha medo de, num ímpeto de desespero, fazer algo muito ruim. Foi a fase mais triste que Ariana teve e que hoje ela jura que não se permitirá mais sentir, nem por ela mesma, nem por ninguém, nada poderá fazê-la sentir-se destruída como ela sentiu-se naquela época.

Quando tudo aquilo passou, ficou a mágoa, ficaram as feridas ainda abertas e a solidão - que parecia oferecer mais conforto do que o calor da multidão. Ela se fechou por alguns anos, endurecida, fria como uma rocha, para suportar as ondas que batiam forte sobre ela, onda após onda, ela manteve-se firme, sem vida, apenas evitando a sua destruição.

Ela percebeu que mesmo tornando-se rocha, em algum momento as ondas acabavam erodindo suas paredes, arranhando sua pele. Percebeu que algumas rochas acabavam caindo e perdendo-se no mar depois de muito tempo ali paradas sofrendo a ação das ondas.

Decidiu então que não valia a pena ser uma rocha. Talvez fosse melhor ela fechar-se de outra forma... Ou não fechar-se mais.

Abrindo uma pequena fresta na janela, Ariana viu uma rosa vermelha que crescia no jardim. Ainda sem conseguir sair de casa, ela lembrava em seus pensamentos de como era bom o perfume da rosa, como as pétalas da rosa eram macias e que flor bonita aquela rosa era.

Lembrou-se também dos espinhos... Qualquer um que quisesse a rosa para si, se machucaria nos espinhos ao pegá-la. Ariana também não queria ser como a rosa, pois não queria machucar quem estivesse à sua volta. Mas ela precisaria de uma defesa contra aqueles que a quisessem agredir.

Olhando bem... quando chegamos perto de uma rosa da forma correta, e se a colhermos do jeito certo, apenas para replantar e não para matar a planta, não nos machucamos e nem machucamos a flor... Ariana decidiu que podia viver como uma rosa vermelha.

Ela queria ser bela, espalhar seu perfume e beleza por onde ela fosse, mas lembrando de manter os espinhos apenas para aqueles que a quisessem ferir, deixando os puros de coração aproximarem-se para oferecer amor em troca do amor que ela oferecia.

Ela sonhou que era beijada por um homem... Um homem que a abraçava como se abraça a um anjo, algo tão puro quanto o coração de Ariana hoje se sente.

17 April, 2010

Mais de Ariana

- Lugh, por que você insiste em me visitar, caro amigo? Você sabe do que eu gosto e você não quer me oferecer essa coisa tão simples que te peço.

- Doce amiga, se eu tivesse todas as respostas do mundo não precisaríamos nos preocupar com mais nada.

- Você me acha bela, meu amigo?

- Sem dúvida, você é a expressão mais pura da beleza.

- Você acha que eu sou uma mulher desejável?

- Sim, Ariana, você seria capaz de aquecer o homem mais frio do mundo apenas com o seu olhar.

- E, mesmo assim, você não quer que eu te aqueça.

- Não é que eu não queira, eu não posso.

- Hm, você me intriga, amigo. Houve um tempo em que eu podia escolher qualquer homem dessa aldeia para fazer-me companhia.

- Você ainda pode. Esses homens estão todos esperando um sinal.

- Mas a maioria deles eu já conheço, pois conheço um deles. Conhecendo um, já sei o que me espera nos demais.

- O que te espera, Ariana?

- Eles primeiro vão achar que foram eles que me conquistaram, depois vão achar que eu sou a mulher mais bela do mundo, depois vão achar que eu continuo querendo vê-los, mesmo quando eu já estiver cansada de olhar para os rostos deles. Então, quando eu disser que já estou cansada, pedirei para que eles voltem para suas mulheres, pois todos acabam por ter suas mulheres – daquele tipo que eles gostam de ter em casa, diferentes de mim, que sou livre. E eles dirão aos amigos que deitaram-se em minha cama e que agora não me querem mais. E sonharão comigo pela eternidade, porque se eu os amei uma vez, eu os amarei para todo o sempre, ainda que fisicamente eu já não os queira mais, meu amor é verdadeiro.

- Se o teu amor é verdadeiro, então por que você não escolhe um que ainda não tenha uma mulher em casa e que não se cansará de você, e fique com ele, por todo o tempo enquanto durar o teu amor?

- Por que ele um dia me pedirá para ser igual às outras e eu não suportarei saber que fico em casa esperando por ele enquanto ele faz em outra casa o que eu gostaria de fazer com ele.

- Por que você acha que todos os homens farão isso com você?

- Porque eles precisarão um dia sair pela porta para sentirem-se como caçadores livres, procurarão alguém como sou hoje para satisfazer essa vontade de liberdade deles. Nenhum deles aceitará que eu – uma mulher – poderia ser uma companheira de aventuras, que eu também gostaria de vê-los divertindo-se e variando suas companhias, da mesma forma que eu gosto de variar as minhas.

- Você quer o que, então, Ariana?

- Alguém que possa me acompanhar. Alguém que não se sinta envergonhado ou temeroso em me contar sobre as fantasias do mundo, sobre as vontades do fundo da alma, alguém que compartilhe dos meus ideais de liberdade.

- Como você espera ser livre, com alguém?

- Com alguém que seja livre e que respeite minha liberdade. Se esse homem não existir, tenho certeza que ficarei melhor sozinha nesse mundo.

- Ariana, você assusta.

- Eu sei, meu amigo... Eu sei... Talvez por isso eu ainda tenha essa idéia em minha cabeça de que irei passar o resto dos meus dias sozinha. Pelo menos terei a companhia do meu amigo Lugh para boas conversas, não é?

- Sempre Ariana, por todo o sempre...

15 April, 2010

Ariana Mais Uma Vez (ou não?)

- Ariana, minha querida amiga! Quanta saudade eu senti de você!
...
...
- Ariana?...
- Ariana?
Os olhos de Ariana fitavam o fogo. Olhavam a chama de uma vela que estava sobre um móvel da sala. Sua mente estava longe. Ela usa as velas para ver mais claramente o caminho, vê figuras distantes, nas sombras das árvores. Ariana usava uma túnica de linho e um suave perfume tomava conta da sala.

Era noite e a lua cheia percorria o céu durante esse sonho nebuloso de Ariana. Ela começou a falar:

- Lugh? Estou sonhando, meus olhos estão fechados. Quando é noite, meu tempo é preenchido com uma outra vida, só paro de vivê-la quando acordo, me afasto dos meus sonhos.

- Esse teu mistéio me intriga, amiga. Me responda em que estação do ano estamos?

- Outono? Primavera? Não sei, nada me afeta, Lugh, mesmo com meus olhos cerrados. Nada me afeta enquanto eu tiver essa vela comigo. As palavras saem de minha boca às vezes sem sentido, mas preciso lhe falar: há algo que busco, algo que não posso resistir.

- Ariana, você está brincando comigo? É uma forma de esconder seus sentimentos?

- Shhhh, ouça o silêncio, como é doce................................... Lugh, você ainda não entende... Um dia, quem sabe eu aprenderei uma forma melhor de te contar. Vá embora, amigo. Agora vou dormir. Boa noite.

14 April, 2010

Amor, de novo

Eu ficarei bem, pois aos poucos aprendo que é melhor sofrer e chorar - mas continuar amando as pessoas que me cercam - do que tornar-me fria e vazia como eles. Acho que o próprio amor que me aproxima, que me chama, também me protege e me afasta, me isola. Ingenuidade acreditar que vale a pena?

Ingênua como uma criança... pura... amor sem maldade, sem regra para aplicação.

Eu amo.

Faz um bem danado admitir isso sem medo.

Eu amo e sofro. Choro quase todas as noites nesse vazio que sempre vejo ao meu lado. Ainda que eu esteja acompanhada saberei que estou só. Mas sempre basta saber que amo, amei e sempre amarei aqueles que caminharem ao meu lado.

O sofrimento do amor é físico, o abdômem dói, o coração se aperta, pernas e braços tremem - dói! Não tem outra forma de falar isso: DOR!

Mas se um dia eu precisar mudar quem eu sou só para não doer mais, eu sei que o sofrimento será maior.

Meu egoísmo é modesto: eu quero amar até quem não me ama, quem não pretende ser amado, continuarei amando independente de qualquer coisa.

Prefiro ser eu a sofrer... Prefiro que as lágrimas sejam as minhas... Prefiro que a dor seja em meu corpo, pois sei que sendo quem eu sou, transformarei isso em um amor mais forte. Eu entraria em desespero ao ver as pessoas que amo sofrendo e correndo o risco de transformar o sofrimento em raiva, em ira, em vingança. Por isso prefiro ser eu a sofrer... Sei que transformarei meu sofrimento em coisas boas, aprenderei com a minha dor.

Quando eu acordar, eu vou sorrir. É mais um dia para amar. Me sentirei bela, não porque meu cabelo está de um jeito ou porque a balança me mostrou um número qualquer. Me sentirei bela porque mais um dia eu fui capaz de amar as pessoas que me cercam; saberei que por mais um dia eu resisti à tentação de odiar e rejeitar aqueles que querem meu mal.

Eu ando sozinha para poder continuar amando a todos. Continuarei chorando, mas feliz em saber que os outros são capazes de sorrir. Continuarei doendo, feliz em saber que dói em mim e não nos outros. Continuarei sorrindo, porque sou grata de ter recebido uma cruz que aprendi a carregar.

04 April, 2010

Barro

Barro

Neste fim de semana eu fui trabalhar com barro para fazer uma peça que era importante para mim. Descobri várias coisas.

A primeira coisa que descobri foi que as mulheres de antigamente eram sábias, enquanto fiavam ou faziam outros trabalhos manuais, elas pensavam, refletiam, intuíam e descobriam coisas legais naqueles gestos simples e repetitivos que fazem parte dos trabalhos manuais.

Bom, mas eu acabei descobrindo outras coisas...

1. O barro precisa ser amassado, apertado, puxado até começar a tomar uma certa forma.

Nas primeiras tentativas o barro não ficava na forma que eu queria, então eu amassava tudo de novo, numa massa sem representação nenhuma, morta. Fiquei triste de ver tantas vezes o barro tomar forma e ter que voltar ao zero para recomeçar, mas eu não tinha como seguir adiante com a estrutura feita da forma errada.

2. Descobri que às vezes é melhor recomeçar do zero do que trabalhar na estrutura errada.

Depois de destruir a forma errada, eu recomeçava, tentando formas diferentes de chegar o mais próximo daquilo que eu tinha imaginado em minha cabeça. É difícil, pois não sou escultora, nem tenho muita intimidade com as artes. O barro resistia e eu pressionava mais. Percebi outra coisa: se eu pressionasse demais, a figura quebrava, então eu tinha que colocar a pressão que o barro fosse capaz de agüentar sem quebrar.

3. Descobri que quando trabalhamos com barro temos que conhecer a pressão que ele agüenta sem quebrar. Se quebrar, tem que começar do zero, tudo de novo.

Foram horas e horas de destruir tudo e começar de novo, apertando, alisando, batendo, acariciando, até que decidi fazer partes separadas para juntar tudo depois.

Um dos meus filhos olhou e falou: “mamãe, o que você está fazendo?” eu disse que queria fazer uma figura parecida com uma que a mamãe tinha desenhado no papel – e mostrei o desenho para ele. Ele viu as partes separadas, coçou a cabeça, fez uma careta e falou: “mamãe, não está nada parecido com o desenho, acho que não está certo”. Eu expliquei para ele que as partes separadas às vezes não fazem sentido, até que elas se juntem para formar a imagem final.

4. Descobri que às vezes as partes separadas parecem não fazer não sentido, pois não conhecemos os planos de quem está trabalhando o barro, mas sabemos que elas são muito importantes para o que se está construindo. Só entenderemos o que significavam aquelas partes quando visualizarmos o trabalho final.

Bom, finalmente cheguei na forma que eu queria, embrulhei em alumínio e coloquei no forno. Não podia ser muito tempo para não trincar, nem tempo de menos. Tudo tinha uma delicada forma de mostrar seus detalhes.

Deixei secando ao ar livre durante a noite.

Na manhã seguinte levantei a peça, vi que daquele jeito ela não ficava de pé, a base ainda não estava forte o suficiente. As pontas também, tinham se partido. Mas, tudo bem, eram detalhes que eu já esperava ter que ajeitar – reforcei as pontas, melhorei a base, o barro ainda não estava todo seco, então eu ainda podia trabalhar bem com a peça.

5. Descobri que mesmo quando achamos que o trabalho está pronto, ainda existem ajustes para que a peça se sustente sozinha.

O mais interessante dessa história toda foi quase no finzinho, quando eu acabava de ajeitar a base... Acho que exagerei um pouquinho na pressão e a peça se partiu ao meio, no coração.

6. Descobri que quando a gente não presta atenção, a parte que a gente achava que estava mais forte e que não precisava de cuidados, se quebra.

Consegui reunir tudo, a base, as pontas, o centro e deixei secando... Ainda não sei que resultado terei quando acabar de secar. Espero que dê certo porque descobri uma outra coisa:

7. Depois que o barro seca, não dá mais para juntar as peças, nem remodelar...

Meu filho finalmente perguntou: “mamãe, você demorou todo esse tempo, só pra fazer isso?” Eu sorri e disse a ele que a mamãe não é muito boa com essas coisas e que acaba precisando de um pouco mais de tempo para entender como certas coisas funcionam. O importante é que eu não desisti, nem fiquei triste com os contratempos e erros cometidos, entendi que eles me mostravam onde eu precisava mudar, melhorar, molhar, amolecer, endurecer, reforçar e acabei aprendendo bastante...

Trabalhos manuais são muito interessantes, afinal, somos feitos de barro, não é? Temos nossa própria resistência, nossas características e, aos poucos alcançamos nossa forma mais aperfeiçoada.

O mais importante desse aprendizado todo foi: seremos apertados, pressionados, às vezes acariciados, às vezes vamos precisar recomeçar do zero, vamos entender melhor onde a gente quebra mais fácil, onde somos mais fortes, onde pode por uma pressão um pouco maior, onde precisamos ter cuidado e nós precisaremos nos “molhar”, ou seja, precisamos preparar nossa matéria para nos mantermos maleáveis para sermos moldados, aceitando as pressões, apertos e carinhos que nos tornarão uma imagem que ainda não sabemos qual é. Foi isso que aprendi no meu trabalho com barro... Eu sou o barro!!!

28 March, 2010

O que é que você quer, afinal?

- Aquela sua última visita me deixou assustada, Lugh...
- Ariana, você estava gritando, eu é que fiquei assustado, minha amiga querida.
- Eu estava pensando nas coisas que estão acontecendo. Entendo um pouco melhor o que você quis dizer sobre a magia do amor. Lugh, eu sou feita de amor, sinto o amor em meu corpo, coração, olhos, pele, respiração, sinto em meus pensamentos, ele está dentro de mim e em minha volta, ele me protege.
- O amor.
- O amor, Lugh. É tão forte, você não faz idéia.
- Você fala tanto, Ariana, são tantas palavras.
- Eu sou mulher, meu amigo, parece que você não sabe como nós gostamos de falar.
- É verdade, as mulheres falam bastante. Por que?
- Bem... Você conhece o poder das coisas que dizemos, não é?
- Sim.
- Eu quero que aquilo que eu sinto seja sentido pelas pessoas.
- O amor?
- Sim, o amor.
- Quando eu sinto o amor e falo do amor, estou enviando amor aos outros.
- Você sempre fala do amor?
- Não falo sempre sobre o amor em si, mas tudo que falo eu falo por amor.
- Como assim?
- Eu falo em nome dele, falo em nome do amor, preciso colocá-lo no mundo. Coloco quando falo, quando me aproximo, quando quero meus amigos perto. Estou transmitindo amor.
- Você é uma pessoa linda, Ariana.
- Não é bem assim. É o amor que faz com que você me veja assim, sou uma mulher simples, de hábitos simples, de desejos simples.
- Quais são seus desejos, então?
- Desejo do fundo do meu coração que eu tenha sabedoria para superar com elegância e carinho os obstáculos que forem colocados no meu caminho. Desejo estar bem, desejo que minha família fique bem, desejo que meus amigos fiquem bem e que as pessoas consigam um dia compreender que precisam aprender.
- Aprender o que?
- Aprender tudo, aprender aquilo que a vida ensina. Que nossas batalhas diárias, nossas dificuldades, sejam sempre um aprendizado valioso para nos tornarmos seres melhores.
- Ariana, você é real?
- Sou, caro amigo, sou tão real que você pode tocar, me dê sua mão. Isso, ponha sua mão na minha. O que você sente?
- A sua pele macia.
- Pele é real?
- Sim, eu sinto.
- Meu amor é real?
- Sim, eu sinto o seu amor.
- Eu sou real, feita de corpo e amor.
- Amiga... Que bom... Que bom...
- Você ainda não quer nada, não é?
- Você diz amor carnal?
- Sim, sempre.
- Não, querida, não por falta de vontade, mas porque você precisa desse amor pra coisas mais importantes.
- Ah... Lugh... Será que um dia você vai entender?

24 February, 2010

A Lua pertence a ninguém...

No século XIX, uma Sonata para piano, posteriormente chamada "Moonlight Sonata", foi composta por Beethoven... Lindo...

Alguns anos mais tarde, mais precisamente, em 1989, a banda brasileira Viper lança um novo arranjo da Sonata de Beethoven, acrescentando voz, não uma simples voz, mas a voz de André Matos, lindamente cantada... Inigualável...



Mas ainda assim, em 2007, André Matos faz uma nova abordagem do tema, incluindo algumas estrofes e fazendo novas adaptações a música. Ainda prefiro o século XX.




A New Moonlight (Composição: Andre Matos)

Lifestorm broke my anchors and like a wreck I've been
Sea and sky were just one darkness, such a brilliant radiance you came

I'm alive, I'm alive, just by the light from your eyes

Lifestorm freed my anchors, many shores I've seen
Sea and sky, they gave me shelter, now we only meet in dreams

I'm alive, I'm alive, just by the light from your eyes

And I need you to be, like the haven that I seek

But clouds showed me and I saw: you were just the moonlight
And the moon belongs to no one

Suddenly, I stare and see, the light in you still shines on me, pouring down, endlessly...

06 February, 2010

Eu sou... Amor!

O que a nossa humanidade mais precisa é despertar o Amor em todos os corações. Dilacerada pela violência, ela chegou perto do fundo do poço. E deste lugar, só lhe resta uma alternativa, é olhar para cima, em direção ao sol, à Luz da Sabedoria e ao calor do Amor.

O Amor do coração foi progressivamente abafado por quatro mil anos de dominação dos homens, que limitaram a participação das mulheres à família e ao lar. Resultou disto uma repressão dos valores femininos no Homem, e com eles o próprio Amor.

(...)

O advento do movimento feminista levou as mulheres a saírem do seu lar para trabalhar fora. Isto fez com que, progressivamente, os valores femininos penetrassem nas empresas e no trabalho humano em geral. O futuro desta gestão se acha num reencontro do masculino e do feminino em cada um de nós.

(...)

O Amor é a força que sedimenta todos os conjuntos. A energia que liga as partículas do átomo é Amor, garantindo assim a existência da matéria.

O Amor é a energia que une as células formando os tecidos das plantas, dos animais e do nosso corpo.

O amor é a força que atrai os dois sexos garantindo a continuidade de todas as espécies, vegetal, animal e humana.

O Amor estimula a nossa criatividade insuflando o nosso entusiasmo pela vida e inspirando a nossa alma poética.

O Amor é o fator que proporciona a ternura dos casais e amizade entre pessoas.

O Amor é a liga das estrelas formando o Universo.

Onde há Amor é impossível a violência, o terrorismo e as guerras.

Despertemos a todo instante o amor no nosso coração para todos os seres viventes. É a melhor contribuição que podemos dar para a nossa humanidade sair do atoleiro em que está enleada!

Fonte: http://www.pierreweil.pro.br/Novas/Novas-63.htm

05 February, 2010

Sexualidade


"A sexualidade invoca uma espiritualidade livre que reconhece seu poder criador. Contudo, raramente ela é usada como ponte que os conduz a níveis mais elevados de consciência.
(...)
Quando trabalham um-a-um intimamente, desenvolvem a confiança. A maioria das pessoas tem dificuldade em confiar em si mesmas porque não possuem um modelo de comportamento para a confiança.

Podem aprender muito sobre confiança num relacionamento
porque o relacionamento age como um espelho mostrando-lhes, a partir do outro, o que não conseguem ver a partir do vosso ponto de vista. Mostra-os vistos de fora, quando se abre a comunicação através da sexualidade e da intimidade profunda e quando não estão usando a sexualidade como simples distração.

Muitas pessoas usam a sexualidade como distração e como forma de fugir da intimidade, em vez de desenvolvê-la. Quando começam a receber energia, a olhar nos olhos da outra pessoa e a sentir calor e excitação, em vez de explorar um ao outro intimamente e espiritualmente, fecham o chakra do sentimento, vestem a vossa armadura e fazem sexo genital, superficial, pois é muito amedrontador e muito intenso aprofundar-se na rota da união plena dos dois corpos e dos dois espíritos.

Às vezes uma relação sexual quente é uma delícia, é maravilhoso. Nós só estamos dizendo que existe mais. Existe muito mais e ninguém esta impedindo que experimentem, quem os impede são vocês mesmo, vossos preconceitos e o medo de derrubar vossas barreiras e limites.

Muitos dos medos que sentem baseiam-se naquilo que vocês mesmos criaram para si e naquilo que fizeram para os outros na vossa vida sexual.

A vossa história sexual afecta todas as outras partes da vossa alma e, como tudo o que acontece com a alma, é transmitida em alto e bom tom por todo o corpo. Parem de se julgar, adotem uma posição neutra em relação a suas atitudes anteriores - não importa o que descobrirem, não importa se parece terrível, não importa que seja difícil, e não importa quanta violação envolve. Compreendam que o vosso propósito foi reunir dados e conhecerem a si mesmos."

in barbara marciniake - os mensageiros do amanhecer

03 February, 2010

Spaceman

Há muito tempo eu não chorava... Chorar de verdade, sabe? Aquelas lágrimas que vem recolhendo tudo que nos consome por dentro, vem lavando nossa alma, trazendo tudo à tona, um tsunami de lágrimas... AVASSALADOR.

Hoje eu chorei. Não lembrava quando tinha sido a última vez que eu chorei assim.

Muito trânsito, muitas reflexões. De repente, no meio da Eliseu de Almeida, sem poder chamar amigos ou família, só eu e o sinal fechado, que é como isso tinha que ser - eu! Só eu...

Foi aí que aconteceu. Tudo o que me consumia veio de uma vez só, meus olhos se afogaram em segundos; e um turbilhão de imagens feias, sentimentos ruins, medos, lembranças horríveis, chegaram com tudo, rasgando minha garganta pra garantir que eu não engolisse mais uma vez tudo isso de volta...

Chora, mulher, chora... Soluça, engasga, mas põe tudo isso pra fora... Eu chorei muito, nem passou pela cabeça que outras pessoas poderiam ver, penso nisso agora, porque na hora, mesmo, não me importei, eu precisava chorar tudo o que eu tinha que chorar, não podia mais engolir choro. Chorei muito... Como uma criança machucada, pequena e indefesa.

Quando tudo o que tinha que sair já havia saído, eu vi no retrovisor meus olhos inchados, eu respirei bem fundo, olhei as nuvens, vi o céu azul...

Foi igual às chuvas de São Paulo, sabe quando chove e a água lava toda essa poeira que tem no ar, depois tudo fica mais brilhante, mais colorido, mais cheio de vida? Foi a mesma coisa. Depois daquela enxurrada de lágrimas, eu respirei, olhei em volta e sorri. Liguei o som, lógico que eu não ia cantar com a voz rouca de choro, mas eu sorri e pensei: "Daqui pra frente, isso tudo não entra mais em mim. Ainda sofro, mas pior do que está não pode ficar. De agora em diante, não faço mais isso comigo, nem ninguém mais, NEM EU NEM NINGUÉM MAIS FARÁ ISSO COMIGO".

E como minha vida não tem diário de bordo, mas sim trilha sonora, essa é a música que resumiu meu pranto.



Spaceman

Starry night bring me down
Till I realize the moon
It seems so distant yet I felt it pass right through
And I see what I see a new world is over me
So I'll reach up to the sky
And pretend that
I'm a spaceman
In another place and time
I guess I'm looking for a brand new place
Is there a better life for me?

Subtle wind blow me gone
Let me rest upon your move
I trust I'll end up sleeping cradled in my doom
And I feel what I feel
I can't grasp what is not real
So I'll get myself real high
And imagine
I'm a spaceman
In another place and time
I guess I'm looking for a brand new place
Is there a better life for me?

I remember in my mind
They say I'm daydreaming
Is it all that it seems
Or am I all the things I'm looking for? ?ooh!
And I see what I see a new world is over me
And I'll reach up to the sky
And imagine
I'm a spaceman
In another place and time
I guess I'm looking for a brand new place
Is there a better life for me?

10 January, 2010

Ariana

Lugh, você está me ouvindo, amigo? Sou eu Ariana... Lugh, estou sozinha e estou com medo. Agora há pouco ouvi a porta tentando abrir-se. Achei que era você, mas não era. Fiquei assustada, cheguei mais perto e tentei ouvir se havia alguém do outro lado. Mas não ouvi nada.

Decidi abrir a porta, apesar do medo, achei melhor olhar para ter certeza de que não havia ninguém. Abri a porta, Lugh, não havia ninguém.

Meu amigo, você me ouve? Senti um vento frio passar em minhas costas apesar das janelas estarem fechadas e parece que sinto teus olhos me observando. É você que está aí, amigo? Estou muito assustada, sinto minhas costas arrepiadas e tenho até mesmo medo de virar para trás para ver se tem alguém. E se tiver alguém e esse alguém não for você?

Eu respirei fundo e olhei. Não havia ninguém. Mas me assustei novamente com o reflexo da luz no espelho, parecia mover-se. Lugh, se for você, já chega de brincadeiras... Eu preciso deitar, preciso descansar, mas agora não consigo sair daqui porque estou assustada.

Eu vou gritar teu nome se você não aparecer, apareça amigo, por favor...

- Lugh!!!!!!!!!!! LUGH!!!

**toc***

- Lugh? É você na porta, Lugh?

- Sim, querida, ouvi um grito e vim correndo, abra por favor e conte-me o que houve?

- Havia alguém aqui, Lugh, alguém entrou em minha casa, eu não sei quem era...

- Ariana, você está inventando histórias para que eu venha ver-te?

- Não, amigo, não estou inventando nada... Eu sei o que senti, o que ouvi, havia alguém aqui.

- Respire fundo, conte até cinco bem devagar.

- 1... 2... 3... 4... 5...

- Venha, vou levar-te ao quarto para que você possa descansar, dormir e amanhã você já estará mais relaxada, sem essas impressões de haver alguém aqui.

- Você vai me levar até o quarto, Lugh?

- Ariana, não comece com isso. Vamos, só vou te acompanhar para que você não sinta medo.

- Até o meu quarto onde fica a minha cama, Lugh... Você poderia deitar-se um pouco ao meu lado para que eu fique mais calma, eu gosto tanto quando você enrola seus dedos em meus cabelos para eu dormir... Você faria isso por mim, meu amigo querido?

- Ariana, Ariana, minha querida, não pensas em outra coisa?

- Não, caro Druida, não penso em outra coisa, porque não há coisa melhor para se pensar! Se queres que eu pense em outra coisa, me faça o que eu te peço há tanto tempo e assim não ficarei mais tão curiosa por descobrir o que você esconde por baixo dessa túnica grossa que você veste.

- Ariana, olhe nos meus olhos e preste muita atenção: eu não sei o que vai acontecer se fizermos isso.

- Lugh, você é um Druida estúpido! Sabe o que vai acontecer se fizermos isso? Nós nos sentiremos felizes, ficaremos satisfeitos, eu não terei mais essa curiosidade que me mata e poderei pensar em outras coisas. Mas agora estou tão furiosa, que nem quero pensar em outra coisa. Você vem à minha casa com seus olhos doces, tocando de leve minha pele...

- Ariana! Eu só peguei em sua mão para ajudá-la a caminhar!

- Minha mão é coberta pela minha pele, assim como meu rosto, meus braços e todo o meu corpo. Saia da minha casa, seu Druida tonto, não volte mais aqui para salvar-me dos fantasmas que a sua ausência cria. Era você quem eu via nas sombras, era o seu cheiro que eu sentia quando o vento passou pelas minhas costas, é a assombração de você que me persegue. Saia daqui e não volte!!!!!!!!!!!!!!!!

03 January, 2010

O Despertar

Os começos de ano sempre me fazem refletir mais... Mas dessa vez tudo está tão diferente e tão certo. Eu sempre fui guiada por algo que eu não sabia explicar. Eu fazia o que eu sabia que tinha a fazer, depois, olhando para trás as coisas faziam total completo e absoluto sentido, como se houvesse um roteiro pré definido para meus passos.

Este ano eu comecei a ganhar um pouco mais de conciência sobre essa força misteriosa que guia meus passos, as coisas começam a fazer sentido um pouco antes de eu precisar olhar tão longe ao passado.

As coisas importantes começam a brilhar à minha frente. O que não importa, aos poucos, desaparece. Uma estranha sensação de lucidez.

A ânsia de acordar e descobrir mais, a ânsia de acordar e abraçar meus filhos. De olhar o mundo e oferecer um sorriso aberto, que silenciosamente diz mais do que qualquer palavra poderia descrever.

Penso na minha avó, minha bruxa favorita, linda espanhola maluca que pretende completar 100 anos em abril. A força que ela consegue me transmitir por trás do rosto cansado ainda é tão importante. Poder segurar as mãos dela nas minhas mais uma vez e poder dizer de coração aberto: "obrigada por ter me ajudado a ser quem sou hoje".

Apesar do rosto cansado, ela ainda está lúcida e não há nada mais aconchegante do que vê-la sorrir diante de uma bobagem, uma piada, ou a simples presença da filha, dos netos e bisnetos. A energia da família que ela guiou por tantos anos agora se reúne em torno dela mais uma vez para aproveitar qualquer segundo dessa mágica sabedoria.

Sei que ela ainda tem um papel importante a realizar nessa história, mas ainda não tenho claro para mim exatamente o que vai acontecer.

Só me resta aguardar, olhar para a noite, respirar fundo, sorrir mais uma vez e lembrar que preciso seguir em frente, buscar o que preciso.

01 January, 2010

Mais um ano que chega

Este ano novo, novo ano, nova era, o que quer que seja, é algo que venho aguardando há muito tempo.

Tudo indica que as mentes se abrirão a novas idéias e novos horizontes. O ano em que faremos contato? Quem sabe? Mas Contato com nosso interior, onde guardamos por tantos séculos informações que antes não sabíamos usar.

Este ano será importante para mim e, de alguma forma, as coisas começam a acontecer de forma rápida. Preciso agir... Mãe, me dê forças e sabedoria suficiente para entender..